Quero que você me venha
Com um convite indecente
Acenando para ter comigo
Grandes momentos de amor
Quero que você me dispa
Que me passe mel na boca
E no céu abrindo champanhe
E me molhe inteiro de prazer
Eu quero encher tua taça
Dentro duma banheira
Mergulhar contigo
Me entregando por inteiro
Se você primeiro quiser se entregar
Eu te convidarei para de tudo fazer
Sem medos, sem segredos
Vivendo dias e noites mil fantasias d’amor...
Mário Feijó
09.02.10

VISÃO
Oswaldo Antônio Begiato
Nunca me vi
Nem mais gordo
Nem mais magro;
Nem mais alto
Nem mais baixo;
Nem mais longe
Nem mais perto;
Nem mais leve
Nem mais ferro;
Nem mais santo
Nem mais sujo;
Nem mais vesgo
Nem mais lince;
Nem mais homem
Nem mais mulher;
Nem mais bardo
Nem mais rude...
Nunca me vi
Nem quero ver:
- Sou a fraude
De meus olhos.
CONTATAÇÃO
Oswaldo Antônio Begiato
À medida
que envelheço
As lágrimas
se escasseiam;
Cada gota
traz consigo
Um imortal
sentimento
de dor grave.
Não as gasto
com defuntos
ordinários.
Jundiaí, em 3 de fevereiro de 2.010.
Eu já errei por amor
Já errei por pudor
E por medo de amar
Deixei de amar por pudor
Tinha medo de pecados
E me proibi ser feliz
Amar não é pecado
Não virei despudorado
Tomei consciência de mim mesmo
E não me importo mais com os outros
Não é possível amar
Sem ser amado
Amar não é transar e virar pro lado
O amor vai muito além de uma cama
Mário Feijó
03.02.10
Comentário: Tão simples e tão complexo é o amor... Têm vezes que basta amar, noutras o ser amado exige muito mais que aquele que ama pode dar. Nisto aprende-se e sofre-se... Alguns dão tudo de si pelo amor e pelo ser amado... Outros não dão absolutamente nada. Muitas vezes aqueles que dão mais cedo ou mais tarde se arrependem e querem de volta a parte de si que doou... assim é o amor, cheio de mistérios e tão absolutamente claro...
(Mário Feijó, Acrilico sobre tela, mandala com 0,60 cmX 0,60cm)
Eu sofro com cada uma
De todas as perdas que sofri
Sei que cresço com elas
Mas é inevitável o meu sofrimento...
Amadureci, tornei-me um ser melhor
Quando aprendi a lidar com elas
Já perdi para a morte
O amor de mãe, pai e filho...
Agora me entendo
Como um ser corpóreo e finito
É mais difícil entender
A perenidade da alma...
Com as perdas eu aprendi
A me amar mais e melhor
Aprendi a amar o meu próximo
E que o amor é o único bem que dura...
Mário Feijó
02.02.10

O ENTREGADOR DE PÃES
Oswaldo Antônio Begiato
A mão que semeia o trigo
É a mesma que arranca o joio;
A mão que distribui o pão
É a mesma que recebe a educação.
Onde se ganha o pão cotidiano
Não se come a carne alheia.
No altar o pão vira carne,
No cálice, o vinho sangue tinto.
Não se preocupe com o pão.
Não se preocupe com o trabalho.
Logo que chegar a fonte e sua água fresca
Chegará a árvore frondosa e sua sombra.
Pagarão então, com pouco suor,
A conta do mercado vencida.
O dinheiro pouco do trabalho
Das pequenas mãos entregadoras de pão
Ajudará, como uma alavanca e seu apoio
Longe do mundo, a mover o mundo.
E um dia lhe serão dados,
Para deleite da mente e das confissões,
Pinga boa,
Fumo forte,
Mulher bonita.
É o que diz a língua do povo;
A língua do povo
É a língua de Deus.