Poemas à flor da pele

A Poemas é tri!

FUTEBOL
Neste correr instituído.
Já não se joga à equipa do coração.
À cor de qualquer camisola o corpo é constituído.
Arrastando tudo, aos valores da remuneração.
Assim, neste viver ao metal.
Não há jogada verdadeira.
Até o ir ao estádio, pode ser letal.
Quando a ganância, torna a claque desordeira.
Nesta batalha, ao puder, perdeu-se o tempo da bola.
Do garrafão do fado e da bandeira.
da chanfalhada na tola.
E da inebriante bebedeira.
Já o corpo, não rebola.
No cascalho da brincadeira.
Já a bola, não é a esteira.
Do mandão da cadeira.
Que a liberdade exacerbada, metia na cadeia.
À força, de uma Nação ordeira.
Mas, com os senhores da nova coleira.
Que muitos assassinou à política da nova bandeira.
Negando-lhes a Pátria derradeira.
Já o Domingo, não é santo dia de bola e borracheira.
Ela hoje, é jogada em qualquer dia com feira.
E como não se respeitam Divinas escrituras, até aos sábado é chutada.
E desportivamente mal tratada.
Deixou de ser cantada, passou a ser uma grande choradeira.
Com a vitória abrilesca, de força estrangeira.
Entra o país, na desordem da nova bitola.
Comem-se sardinhas com bolo rei de fraque e estola.
Todos são doutores sem caneta, a viver de armada pistola.
E a de ontem, jogada e cantada bola.
Muito hoje, mal rebola.
Transitou ao mausoléu com a sinistra ditadura.
Nesta intentona, entram na bola novos estagiários.
Senhores de diferente desportiva investidura.
Vêm das estranjas, os novos futebolistas mercenários.
Nestes novos atléticos cenários.
Perderam-se as alegrias das antigas jogadas.
Repletas de goleadas.
No tempo, em que a bola, era jogada com dedicação.
E imperturbavelmente ovacionada em grande aclamação.
Hoje, nesta democracia de falsa animação.
Passamos a viver com livros de muitas escritas.
E são tantas, de antigas escritas, as palavras ditas.
Por homens, sem as verdadeiras eruditas fitas.
Que entramos, na era de malignas desditas.
Com tantos ditos e desditos, vingam os oportunistas.
Ganham os vigaristas.
E, como não há verdadeiros estadistas.
Os ministros, são hoje, já futebolistas.
Ou com eles andam, pelas desportivas pistas.
A angariar políticos proveitos.
Aproveitando a ajuda da bola, para serem eleitos.
Hoje, até já são os futebolistas, a chamar o povo às eleições.
Como o mundo, vive tantas contradições.
E como agora, se berra por tudo e por nada.
É impossível dar atenção à voz da manada.
Neste país, de doutos de canudo duvidoso.
Mas de titulo vaidoso.
Nesta fantasmagórica fantochada carnavalesca.
Em abstracto colorido de tinta fresca.
Ganham também os cronistas.
Assim, como os jornalistas.
Na divulgação das fantasiosas jogadas.
Que os doutos das chutadas.
Goleiam, em suas parcas cabeçadas.
No entanto, no tempo dos pides sanguinários.
E dos ministros ordinários.
Em que os clubes, não eram santuários.
Nem catedrais a revolucionários.
Com interesses divisionários.
Gritava a oposição.
Nos seus comícios à transição.
Cuidado operários.
O Botas, e seus salafrários.
Com o fado, e a bola, enganam a população.
Até a Amália, é força pidesca da situação.
Camaradas destas afeições.
A que lutar contra as traições.
À que discordar e ser irreverente.
Não se pode ser benevolente.
Com quem, com a bola, difunde a Nação.
E aos chutos, nos nega a alimentação.
Nos envolve na sua nacionalista educação.
Nos inibe da liberdade.
De restarmos sem nacionalidade.
Nos obriga a respeitar os egrégios.
Só porque, foram nacionalmente régios.
Camaradas! à que lutar!
À que, pela nacional morte labutar.
A que fazer a revolução.
A que obstruir, toda e qualquer, nacional solução.
A que debilitar.
E na revolução militar.
Para tudo minar.
Até mesmo assassinar.
Quem inabilita a evolução.
Da anti nacional construção.
Era esta a gritaria.
Da nefasta confraria.
Que a nação levaria.
Ao descalabro e selvajaria.
Ao abandono e à matança .
De gente, que à Nação, foi abastança.
Do herói, que pela Pátria lutara.
E a Nação juntara.
Num universal que ás quinas cantara
Em unas camisas que o mundo fascinara.
E estridentemente ovacionara.
Hoje, com ministros outros, e tempos outros.
Desavindos são os campos e os encontros.
Já não se chuta no cascalho.
Facilitado é o jogado trabalho.
O jogador, hoje, chuta em fino relvado.
Mas na bancada, à que ter cuidado com a navalha do malvado.
Com a chanfalhada ou petardo.
Ou qualquer lançado dardo.
Motivado pelas cores em dissonância.
Na força da metálica ganância.
Que a todos, chama ao terreiro da pancadaria.
Da luta partidária.
Neste real desporto de goleada viciada.
E improvisada garraiada.
Aonde a sarrafada sai das linhas à bancada.
Aquecendo à cabeçada.
E muitas vezes, extravasa até à estrada.
Nesta revolução, já não é a bola que gira, mas sim a pedrada.
E quem sabe, se nesta bola, hoje, por todos minada.
Não começa a cair a granada.
No descalabro desta desordem, pela ganância contaminada.
Para alimentar este pancadaria, os técnicos da bola jogada.
Correm mundo na pegada.
De quem joga a bola, com boa patada.
E é de boca recatada.
Mas permite qualquer transação.
E facturação.
Duvidosamente registada.
E em paraísos fiscais depositada.
Nesta negociata do pontapé, proliferam os bacanais.
Em orgias fenomenais.
E no envolvimento dos suores carnais.
Os do pontapé chacais.
Em truques fiscais.
Fazem as grandes jogadas internacionais.
Os craques, vendem os seus dotes profissionais.
Esquecendo os interesses nacionais.
A quem der mais metálico enriquecimento.
Neste novo mundo, sem patriótico sentimento.
Vence a jogada do metálico rendimento.
Neste meretrício de animais racionais.
Não se concebem jogadas abominais.
Os jogadores, são objectos de cores mundiais
Vendidos entre desportivas filiais.
As selecções, são passaportes
A todos os nortes.
Por sorte, ainda não há na terra, seres de marte.
Para na bola, terem a sua parte.
Neste rocambolesco.
De internacional colorido grotesco.
Pode haver até mortes.
O que importa, é que, no dinheiro, não haja cortes.
A que pagar aos mercenários dos desportivos combates.
À que ganhar! O dinheiro, não cobre os empates.
Jogam os fracos, contra os fortes.
Todos correm às suas sortes.
Ou ao apito, musicado com dourados lingotes.
As claques, são aos magotes
Armadas de mísseis e canivetes.
E escondidos cassetetes.
Vil mundo de insinuações, entre calados presidentes.
É um ver, quem menos fala, sempre a mostrar os dentes.
Neste mundo com tantos doentes.
Jogam mais os dirigentes.
Com cheques e presentes.
E com ditos indecentes.
Que os craques, entre as linhas existentes.
À jogatina, já não há fronteiras nem continentes.
Felizmente, ao celeste universo, ainda não voam os exploradores.
Mas, em todos os mercados terrenos, são comprados jogadores.
Que logo são legalizados.
E algumas vezes até, nacionalizados.
E logo, à nova camisa feitos crentes.
Sejam elas brancas ou de cores berrantes.
Tanto trajam equipamentos, com as cores marroquinas.
Como trajam equipamentos, com as cores das cinco quinas.
O que interessa, são os metálicos angariados.
As cores, até podem Ter o tom, de camaleões camuflados.
Com estes chutos, de mercenário dominar.
Não há bola, que resista a tanto difamar e minar.
Nesta força de arruaceiros de esquinas.
Caminha o desporto com a casa em ruínas.
A até a bola, já mais leve e mais esférica.
Na força da nova política.
Já tanto não rebola.
Mas, transformou o mundo da bola.
No mundo da cartola.
E de rostos escondidos, debaixo de animalesca estola.
Já os jogadores, são pessoas publicas.
Recebidos com honras nas repúblicas.
Ó que saudades do tempo, em que, a bola, artisticamente girava.
Exclusivamente! Na arte, de quem a manobrava!
Em que os chutos, era um mundo de encantos.
E nas tabernas, o fado, se ouvia em todos os cantos.
Enquanto bom vinho jorrava dos toneis.
Para acompanhar o bacalhau dos farnéis.
Mas hoje, só restam os dedos, foram-se os gloriosos anéis.
Fado e bola, entre sedas e caviar, têm outros quartéis.
Outro valor, têm os seus arráteis.
Com os novos futebolísticos predadores.
Pouco se fala dos jogadores.
Salienta-se sim, a influência dos presidentes.
E dos amigos pendentes.
E como são muitos os dinheiros.
Há bola, são muitos os obreiros.
Até políticos, já andam no meio dos sarrafeiros.
Quem sabe, se não serão mesmo olheiros?
Para brilhar neste mercado de tantos parceiros.
Não se pode ter desportiva mente.
Há que ser comerciante, e ao desporto indiferente.
Ganhar é a finalidade.
Nem que a vitória, seja conseguida na matemática contabilidade.
De fora, podem ser os treinadores.
Neste moderno futebol de chutos inovadores.
E camisas multicores
Já são do lado de lá do mar profundo.
Os de hoje treinadores, que nos querem dar o mundo.
Que à selecção deste país de marinheiros.
De Eusébios e outros grandes artilheiros.
Como seu ideal.
Prometem o mundial.
Ao que resta dos egrégios navegadores.
Já sem barcos, nem nacionais vencedores.
A de hoje bola, já não tem do trapo, a singeleza.
Nem a antiga desportiva beleza.
Hoje, já tem doutores oradores.
Corruptos e corruptores.
Nesta terra, em que a bola é dos governadores.
Chuta-se a dita bola, num inferno de transferências.
E sabe-se lá, na força, de quantas corruptas influências?
Neste mundo, de tanta jogada imprevista.
E de tanto fiscal, com falta de vista.
Anda a bola à patada.
Fora das linhas, em que deve ser chutada.
E ovacionada desportivamente.
Por quem vive este sublime desporto honestamente.

Eduardo Dinis Henriques

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Maria Flor da Pele (*)

Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.
(*) escrito por Márcia Fernanda Peçanha Martins

Saia de saia (*)(**)

Hoje, coloque uma roupa
bem à vontade e saia.
Simplesmente, saia.
Por aí, sem medo.
Desfile como majestade
e convoque toda a laia.
Faça uma gandaia.
Mande até torpedo.
O que vale é se mostrar
com micro ou minissaia.
Vista-se de cobaia.
Escreva o enredo.
Não esconda suas formas
e silencie a vaia.
Fim da maracutaia
do corpo em segredo.
Ninguém tem dono aqui.
E nem lá na praia.
Saia desta tocaia.
Assuste o bruxaredo


(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins

(**) Em solidariedade às mulheres que já militaram, militam ou ainda precisarão militar pelo feminismo no país e apoio aos movimentos de protesto contra a selvageria praticada com a estudante da Uniban

Apenas um sonho (*)


Vivendo lado a lado contigo
Andávamos de mãos dadas
E nossas almas apaixonadas
Moravam em si, num abrigo

Colhíamos sorrisos no vento
Sementes de amor e alegria
Com a mesma pena, poesia
Inspirados a todo momento

Num laço lindo, tão perfeito
Rolávamos em nosso leito
Amando-nos, tínhamos paz

Eis que um vento com efeito
Desperta-me; a cena desfaz
Era apenas sonho, nada mais...

(Lena Ferreira)

Dia de Finados, 2 de novembro


Isto é saudade (*)

Não te sentir na sala
a cuidar meus passos,
é ficar sem norte.
Isto é saudade.
Não te ceder à mala
e ajeitar teus espaços,
é falta de sorte.
Isto é saudade.

Não ouvir a tua voz
a acalentar meu rumo,
andar sem suporte.
Isto é saudade.
Não esperar por nós
para escrever o resumo,
é não ter aporte.
Isto é saudade.

Não ter teu carinho
a sussurar sentimentos
é quase um corte.
Isto é saudade.
Não tomar um vinho
com os primeiros ventos
me deixa sem porte.
Isto é saudade.

(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins, para o meu irmão que me dói sempre de tanta saudade

Dia de Finados, 2 de novembro

Finados (*)

Eu me lembro da infância...sempre o vento
nesse dia das almas, a silenciar o meu quintal,
flores recolhidas antes de o sol se pôr, atento
cessavam os risos, as vidas saiam do original.

Abraçávamos os colos que nos davam, intrigados
com aqueles olhos que se perdiam num sem-fim,
era um dia solene, separando e dividindo mundos
vivos e mortos se confundiam, tristes, em mim.

Dos cemitérios não sei, não me levavam
mas guardo os cânticos em latim e a cor roxa
e um ritual de velas e orações é que ficaram...

O mesmo vento ainda vêm rondar a minha vida,
das minhas cenas já se foram " almas queridas,
"só hoje entendo, " olhares de vazios'...."

Ana Luiza (coisas de Ana)

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