Poemas à flor da pele

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soninha porto

CONTRA O ABUSO DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS

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CONTRA O ABUSO DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS

Por este Poeta e Escritor que passa pela dor de ver seu filho preso, apesar de tantas tentativas de tratá-lo. Pela família da moça que passa por essa tragédia, fruto da droga. Que esse interesse todo que o tema despertou não fique só na conversa. Po

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Ninita Lucena Fernandes

PÁGINA ÍNTIMA

PÁGINA ÍNTIMA Não importa meu filho, que todos te odeiem. Sei que existe alguém muito especial Que te ama. Ama porque Ele amou De maneira ilimitada o mais vil pecador Ama porque ele sabe que a...

Iniciado por Ninita Lucena Fernandes 1 Nov.

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Luiz Fernando Prôa Comentário de Luiz Fernando Prôa 1 dia atrás

Drogas: mudei de opinião
(Coronel Jorge da Silva)


Nos meus tempos de Polícia Militar, achava que os usuários de drogas deveriam ser reprimidos com o mesmo rigor que os traficantes. Já no final da carreira, tinha minhas dúvidas. Ora, por mais que os governos e a polícia se empenhassem (até as Forças Armadas foram empregadas no Rio de Janeiro), nada mudava, ou melhor, mudava para pior: mais traficantes, mais usuários, mais tiroteios, mais mortes, mais comunidades subjugadas por “comandos”, mais assaltos, mais “bondes” do mal em túneis e vias expressas. Na verdade, o que fazíamos, ou melhor, o que fazemos não passa de um constante “enxugar gelo”, expressão que utilizei em texto que escrevi há mais de 15 anos.
Depois, confundindo usuários com dependentes, achei que os usuários necessitavam de cuidados médicos. Mais tarde, que só dependentes, e não usuários, careciam desses cuidados. Também sustentava que o álcool, que consumia e consumo, não era prejudicial se tomado com moderação, ao contrário da cocaína e da maconha, drogas que, para mim, eram coisas do demo, caminho inevitável para a degradação moral e mesmo para a morte.

Incomodavam-me as campanhas pela descriminalização, legalização etc., por dois motivos: primeiro, porque via nos discursos públicos dos seus defensores um incentivo ao consumo; e, segundo, porque temia, em caso de a liberalização efetivar-se, que houvesse uma corrida desenfreada às drogas. Ficava imaginando pessoas tomadas pelo vício, trôpegas, olhos vermelhos, caídas pelas calçadas (aliás, como vemos muitos dependentes do álcool…).

Nas campanhas antidrogas, não entendia que, ao mesmo tempo em que se falava em caminho sem volta, apresentavam-se pessoas que tinham, como diz o chavão, chegado ao fundo do poço, mas que de lá tinham voltado, tornando-se pessoas produtivas, exemplos de cidadania. Ora, concluiria um jovem usuário: “Se é assim, quando eu quiser, paro”.

Chegam notícias de que em vários países, inclusive num dos mais repressivistas deles, os Estados Unidos, tem havido descriminalização do consumo, sobretudo da maconha, isentando de pena o usuário. E um dos meus temores diminuiu quando soube do que aconteceu em Portugal.

Em 2001, depois de muita polêmica, o parlamento português aprovou lei que descriminalizou o consumo e a posse para uso próprio de pequenas quantidades, não só de maconha, mas de todas as drogas. Como era de se esperar, houve protestos de toda parte, a maioria das pessoas acreditando que o consumo aumentaria de forma exponencial e que Portugal se transformaria num centro de viciados de toda a Europa.

Não foi o que aconteceu. Estudos recentes, inclusive do Escritório de Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC) revelaram que o consumo de maconha e cocaína diminuiu, sobretudo entre os jovens, e que o temor de que o País se transformaria num paraíso das drogas era um exagero.

Tendo em vista que o objetivo da governança global com a “guerra às drogas” era chegar a um “mundo sem drogas, e que esse objetivo, antes de ser uma utopia, é redonda insensatez; e tendo em vista ainda os danos sociais resultantes da “guerra”, mudei de idéia em relação aos meus tempos de PM: as drogas (ilícitas e lícitas) são uma questão social importante, e não “caso de polícia”. Para começar, faço coro com aqueles que, no Brasil, advogam em favor da descriminalização do consumo da maconha. Porém, por que não estudar melhor o modelo português?

Bem, e o que colocar no lugar da repressão? Prefiro uma combinação de educação, família, valores e tratamento para quem o desejar.
Denise Moraes. Comentário de Denise Moraes. 1 dia atrás
Uma divulgação a nível de Brasil é necessária, ou melhor, é uma causa para tomar - se providência. O governo precisa mostrar a sua competência, combatendo, pois não faltam manchetes com as mesmas notícias. Assistir aos jornais, ler jornais, só encontamos pavor e violência. O mundo está seguindo o mesmo lema. Atitude governantes!
E o Tim Lopes, jornalista que foi vitimado pela causa. O dever é de cada cidadão que fala aos sete cantos e não tem apoio e nem segurança.
Chris Herrmann Comentário de Chris Herrmann em 27 novembro 2009 às 10:56
Eu divulgarei este debate em minhas comunidades, sites e blogs. Já comecei a divulgar também no Twitter. Conte comigo, querido amigo Prôa e receba meu abraço fraterno.
Chris
soninha porto Comentário de soninha porto em 27 novembro 2009 às 10:29
Pessoal,

Numa realização do Jornal O Globo e do Viva Rio, e com apoio da Oi Futuro, estaremos realizando o debate que segue abaixo. Aproveito para informar que o site da Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia(CBDD) já está no ar.
O endereço é www.cbdd.org.br.
Também estamos produzindo uma revista eletrônica mensal chamada Antena, um espaço que foi criado para o intercâmbio e a disseminação das diferentes vozes protagonistas do debate nacional e internacional sobre as mudanças nas políticas de drogas.
Você pode se cadastrar no próprio site da CBDD.
Ou então nos siga no Twitter @drogademocracia.

Participe, divulgue esta iniciativa.

Mônica Cavalcanti – Assessora de Comunicação da CBDD
soninha porto Comentário de soninha porto em 27 novembro 2009 às 10:18
E a luta continua...
Ontem ouvimos no Jornal Nacional mais uma notícia sobre outro Bruno, vítima de crack.
O primeiro que soubemos do Rio, filho do nosso amigo Prôa, vitimou barbaramente a Bárbara, esse de ontem foi barbaramente morto, com doze tiros pela polícia.
Mais um Bruno na história, mais mortes, mais famílias despedaçadas. Quantos Brunos e Bárbaras precisarão morrer para que as clínicas de reabilitação sejam eficazes?
Para que os planos de saúde atendam os nossos filhos, com mais competência, sem pensar só em encher os bolsos, mas considerar que estamos viviendo uma epidemia de drogas e que algo é preciso ser feito.
Quantos precisarão morrer e matar famílias para que políticas de saúde sejam pensadas e aplicadas?

Maravilha saber desse debate amigo, as entidades pela vida e sem fins lucrativos unindo-se para transformar, gritar e fazer a sociedade acordar para estes momentos que estão degradando famílias brasileiras (e no mundo com certeza) e que estão levando os nossos filhos aos caminhos da destruição.
Senhor Deus tem piedade de nós!

Soninha Porto
Luiz Fernando Prôa Comentário de Luiz Fernando Prôa em 27 novembro 2009 às 5:06

soninha porto Comentário de soninha porto em 21 novembro 2009 às 0:46
Os efeitos do crack no organismo

Forma menos pura da cocaína, o crack tem um poder infinitamente maior de gerar dependência, pois a fumaça chega ao cérebro com velocidade e potência extremas. Ao prazer intenso e efêmero, segue-se a urgência da repetição. Além de se tornarem alvo de doenças pulmonares e circulatórias que podem levar à morte, os usuários se expõem à violência e a situações de perigo que também podem matá-lo.

Consequências para a saúde
Jornal de Santa Catarina e A Notícia
Intoxicação pelo metal
O usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o crack. Além do vapor da droga, ele aspira o alumínio, que se desprende com facilidade da lata aquecida. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos.

Fome e sono
O organismo passa a funcionar em função da droga. O dependente quase não come ou dorme. Ocorre um processo rápido de emagrecimento. Os casos de desnutrição são comuns. A dependência também se reflete em ausência de hábitos básicos de higiene e cuidados com a aparência.

Pulmões
A fumaça do crack gera lesão nos pulmões, levando a disfunções. Como já há um processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo tosse, falta de ar e dores fortes no peito,
Coração
A liberação de dopamina faz o usuário de crack ficar mais agitado, o que leva a aumento da presença de adrenalina no organismo. A consequência é o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Problemas cardiovasculares, como infarto, podem ocorrer

Ossos e músculos
O uso crônico da droga pode levar à degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, chamada rabdomiólise.

Sistema neurológico
Oscilações de humor: o crack provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta em deficiências de memória e de concentração, oscilações de humor, baixo limite para frustração e dificuldade de ter relacionamentos afetivos. O tratamento permite reverter parte dos danos, mas às vezes o quadro é irreversível
Prejuízo cognitivo: pode ser grave e rápido. Há casos de pacientes com seis meses de dependência que apresentavam QI equivalente a 100, dentro da média. Num teste refeito um ano depois, o QI havia baixado para 80
Doenças psiquiátricas: em razão da ação no cérebro, quadros psiquiátricos mais graves também podem ocorrer, com psicoses, paranoia, alucinações e delírios

Sexo
O desejo sexual diminui. Os homens têm dificuldade para conseguir ereção.
Há pesquisas que associam o uso do crack à maior suscetibilidade a doenças sexualmente transmissíveis, em razão do comportamento promíscuo que os usuários adotam

Morte
Pacientes podem morrer de doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e relacionadas ao enfraquecimento do organismo (tuberculose).
A causa mais comum de óbito é a exposição à violência e a situações de perigo, por causa do envolvimento com traficantes, por exemplo.

INFORMACAO POR E-MAIL.
Denise Moraes. Comentário de Denise Moraes. em 19 novembro 2009 às 1:34
A solidariedade dos amigos, fazendo -se presente na passeata, fortalece o movimento.
Nós que moramos em outros estados, apoiamos, acompanhando.
Cris e Chris, vocês sempre solidárias.
Luiz Fernando Prôa Comentário de Luiz Fernando Prôa em 17 novembro 2009 às 15:20
Amigos, está bonito por aqui! Essa luta é nossa!

Lancei no domingo, 15 de novembro, o Blog e a Página "Chega de Hipocrisia!". Participem! Deixem lá seus comentários! Mais uma tribuna para deixarmos claro nossa indignação ao País da Hipocrisia!

Realidade - A internet é nosso palanque! Nossa voz e microfone! LFP

Interatividade, depoimentos, textos, fotos, as cartas abertas e um pouco mais.

Sejam bem vindos!

O Blog:
http://luizfproa.blogspot.com/

A página:
http://www.almadepoeta.com/chega_de_hipocrisia.htm

Grande abraço,

Luiz Fernando Prôa

Luiz Fernando Prôa Comentário de Luiz Fernando Prôa em 17 novembro 2009 às 15:06
Entrevista concedida à Agência Unipress:


Agência Unipress: O sr. tem consciência de que se transformou numa bandeira de luta para milhares de pais que enfrentam o mesmo tipo de problema?

Luiz Fernando Prôa: Tenho! E isso me assusta já que não calculo a dimensão desta coisa. Sou uma pessoa comum, acostumado à solidão de meu trabalho como escritor e promotor de cultura na Internet. Às vezes circulo em eventos poéticos e artísticos, mas a maior parte do tempo não. Meu assombro cresce quando vejo que não só as famílias com problemas com drogas, mas uma legião de indignados com tanta falta de paz e humanidade apóia essa voz, já que se identifica com as questões que estou levantando.


AU: O que mudou na sua vida desde o episódio que vitimou Bruno e Bárbara?

LFP: Tudo!


AU: Que conselho o sr. daria a pais que vivem a mesma situação?

LFP: Que lutem por seus filhos, não só em casa, mas pressionando as autoridades para que ajam rápido e mudem este estado de coisas com que nos acostumamos a viver. É como o slogan dito pelo Projeto Zap, da Internet: “Dizer não, as drogas... - não basta!”, temos de fazer muito mais se queremos minimizar o estrago que elas produzem. Não produzimos nem as drogas nem as armas que circulam no Brasil.


AU: De acordo com a Lei de Entorpecentes, a internação para o usuário de drogas depende da própria vontade do viciado. Um projeto de lei na Câmara dos Deputados propõe a obrigatoriedade do tratamento. Um laudo médico diria por quanto tempo o dependente ficaria internado. O sr. acha que esse é realmente o caminho para minorar o problema?

LFP: Quem não se droga neste país? Garanto que não é a minoria. Vão ter de arrumar um outro Brasil para colocar tanta gente dentro. Não são só as drogas ilegais que são drogas, as bebidas alcoólicas, apesar de legais, fazem parte da mesma categoria. É preciso internar contra a vontade o dependente químico que perdeu todos os limites, contanto que com qualidade no atendimento e com critério, para que não haja abusos e excessos. É como no caso do escritor Paulo Coelho, que foi internado por 3 vezes porque queria fazer Teatro, e não Direito como seu pai almejava. Mas temos que ir mais longe, já que o álcool é a principal porta de entrada para o mundo das drogas. É preciso por fim em toda propaganda de bebidas alcoólicas, em qualquer meio. Colocar advertências educativas nos rótulos dessas bebidas, sobre os prejuízos que podem causar à saúde, como se faz nos maços de cigarros. Acabar com aqueles corredores charmosos onde se vende bebida nos supermercados e confiná-las onde só possa entrar adultos. Abrir a discussão sobre o aumento da idade permitida para o consumo destas bebidas para 21 anos, como já acontece em outros países, e com fiscalização eficiente.

Sobre um laudo indicar quando tempo de internação o dependente precisa, só se o médico for um vidente. Isso varia muito e é de difícil previsão.


AU: Já foi procurado por alguma autoridade estadual, municipal ou federal para discutir algumas das sugestões propostas pelo sr?

LFP: Não! Estou mais preocupado com que esse grito seja ampliado, com que mais gente passe a opinar e ser ouvida. Como disse, sou apenas um cidadão comum e não sou o dono da verdade. Nossa sociedade precisa discutir suas questões, participar ativamente na condução de nossos destinos, pressionar por seus direitos e não deixar tudo na mão de políticos, de grandes empresários e sindicatos.


AU: O governo do estado informou que deve assinar convênios com organizações não-governamentais para ampliar o atendimento aos usuários de drogas. O sr. acredita que isso vai sair do papel ou vai cair no vazio assim que o assunto se esvaziar como costuma acontecer nesse país?

LFP: Já estamos acostumados com isso. Estoura uma bomba, chegam os bombeiros e ficamos aguardando o próximo incêndio. Já cansamos de ver soluções paliativas e maquiadoras que não resolvem os problemas. Empurram o incêndio sempre mais para frente. Não quero pré-julgar as boas intenções que às vezes aparecem, como agora no Rio, mas vemos que as ações são sempre menores que os problemas a enfrentar.


AU: Como uma família pode evitar que seus filhos mergulhem no mundo das drogas?

LFP: Para os pais que ainda não vivem esse problema, o primeiro passo é ficar de olho nas bebidas alcoólicas. Elas rolam em festinhas de criança, nos churrascos em família, entre os amigos da escola, nas baladas e bares. Com isso, usando uma droga pesada, como é considerada a bebida alcoólica, eles se acostumam com o estado de embriagues, euforia e desinibição que ela provoca. O que acaba os aproximando de outras experimentações. O segundo é educar, mostrar o estrago que essa droga provoca, no caso do crack, que não é a única. É só dar uma passadinha na crackolândia de sua região que logo verão o efeito devastador que ele provoca. O caso de meu filho também é bem educativo, uma pessoa boa, educada, carinhosa e que chegou ao fundo do poço e a cadeia. Um caso de saúde pública que virou um caso de polícia.

Contudo a situação é bem pior e vemos a droga na falta de ética, na política, no trato com os problemas da população, no silêncio da maioria, na falta de amor e compaixão, no consumismo desenfreado, na falta de nos vermos como sociedade e optarmos pelo individualismo. Isto tudo, e coisas mais, geram um grande vazio nas pessoas e uma sensação de insatisfação constante. Aí só resta nos embriagarmos em muitas coisas além das drogas químicas, como o futebol, o carnaval ou a alienação. Os estádios nunca ficam vazios, um evento GLS reúne 2 milhões de pessoas, mas quando lutamos por transformar a realidade e lutar por nossos direitos só aparece meia dúzia de gatos pingados. Unidos temos força, como demonstrado na derrubada do Collor ou nas Diretas Já, que perdemos em função do período político em que vivíamos. Mas estamos muito acomodados.


AU: O sr. também acha que cabe prioritariamente ao governo federal(PF) a tarefa de combater a entrada de drogas?

LFP: Sim! Mas o problema maior não são as drogas, elas são apenas uma ponta do iceberg, e afiada. As armas que entram fazem muito mais estrago.


AU: O Rio de Janeiro oscila entre a euforia e a depressão por causa dos últimos acontecimentos. O sr. também acha que deveria se pensar menos em 2016 e mais no dia-a-dia da população?

LFP: As olimpíadas são importantes para o Brasil, não há dúvida, e não só para o Rio. Mas a prioridade e a escolha dos investimentos do governo têm de ser questionada. Vão se gastar muitos bilhões com compra de caças da força aérea, com submarino nuclear (pacífico?) e não faço ideia quanto se gasta com o Haiti. Isto me cheira a militarização do país, uma nação pacífica. E para que? Para agradar os compradores, para conseguir assento nos G8s da vida? Não temos nem guarda-costeira e ainda vamos dar dinheiro para o FMI? E nós, como ficamos por aqui? Falam em dar 100 milhões para tratar as sequelas da droga (até o fim de 2010), outros tantos para equipar a polícia do Rio. Mas para que, para transformar isso aqui num Vietnã? Se esses bilhões fossem investidos na educação e na saúde, talvez não precisássemos desses trocados para tapar buracos. Não quero aqui ficar jogando só pedras, temos coisas positivas acontecendo, mas existe uma timidez que acaba gerando diversos problemas sociais, como a violência e o flagelo das drogas.

Para responder parte da pergunta, não vejo ninguém eufórico no Rio hoje em dia, pelo contrário, o medo é generalizado.


AU: A religião de alguma forma pode contribuir para ajudar a resolver os problemas das drogas ou isso nada tem a ver?

LFP: A religião não vai resolver o problema das drogas, mas com certeza pode contribuir e muito, contudo o problema é mais complexo, e muitos que vivem esse problema não querem nem ouvir falar em Deus, o que é lamentável. Da mesma forma as estatísticas nos mostram que a proibição e a repressão não reduzem o problema, que só cresce. Não estou defendendo a liberalização geral, mas sim que se comece um amplo debate nacional sobre a política de drogas em nosso país, sem hipocrisia e com os pés no chão, para que se equacione esta questão e vítimas diárias deixem de ser produzidas, enlutando famílias por todo Brasil. Essa é uma das propostas que levantamos na caminhada que fizemos domingo agora, 8 de novembro, em Copacabana.


AU: O crack era conhecido como uma droga da classe baixa. Como o senhor vê a entrada da droga em famílias da classe média?

LFP: Sim, o crack era considerado uma droga consumida apenas por pessoas mais humildes. Pelas informações que tenho, obtidas na mídia, essa praga começou a se espalhar pelo Brasil, mais intensamente, há 6 anos. Tempo que coincidi com a descoberta dos problemas de meu filho com essa droga pesada. Em uma de minhas cartas abertas fiz o alerta: antes existia apenas uma crackolância, ficava no centro de São Paulo e ninguém fez nada, hoje são centenas pelo Brasil, daqui a um ano serão milhares, num crescimento exponencial. O problema da gripe suína é fichinha, se comparado à epidemia do crack. Milhares estão sendo vítimas diretas e indiretas dessa droga, diariamente, principalmente nas áreas mais desfavorecidas socialmente. Contudo ela tem se esparramado por todas as classes. Como muitos fumam cigarro e outros maconha, parece que fumar crack, na cabeça deles, é apenas mais uma fumacinha que entra pela boca. E aí é que vem o pano de fundo. Nossa juventude está bebendo como nunca antes, basta ver os balanços financeiros das cervejarias e similares. O que acontece é que muitos, nos embalos de bebedeira/balada, se entorpecem com essa droga pesada chamada álcool e acabam provando da fumacinha do crack. Quando se dão conta já estão viciados. A voracidade pelo lucro, dessas empresas de bebidas alcoólicas, aliada a total liberdade de sedução de jovens, que elas têm, acaba colaborando no aumento do número de vítimas do crack.


AU: O que se pode fazer com meninos de rua que já estão mergulhados no vício e que tem naturalmente muita dificuldade - condições sociais e familiares - de internação?

LFP: Investimento pesado, educação. Um povo instruído tem melhores condições sociais e pode controlar melhor seu crescimento, em número. Não adianta construirmos 10 hospitais se daqui a 5 anos vamos precisar de 30, construir 30 se daqui a dez anos vamos precisar de 90. Este é um assunto sério e que é pouco discutido. Crescer e multiplicar quando a Terra estava vazia era o certo, mas o planeta já está superlotado e continuamos crescendo, agredindo o meio-ambiente e provocando o aquecimento global. A reação do planeta, esse organismo vivo, já é visível. Este fenômeno climático, como dizem os cientistas, irá atingir e deslocar populações imensas. E continuamos crescendo. Está na hora de nos organizarmos, não só no Brasil, e lutarmos efetivamente pela vida no planeta de forma global ou nunca resolveremos nossos problemas locais. E continuamos crescendo, no mundo todo. O meio científico vem nos alertando há muito tempo sobre o caos climático que estamos promovendo. Um de seus principais causadores é a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, e por aqui estamos soltando fogos cada vez que encontramos novos poços para a produção desta energia que está matando o planeta. E salve o pré-sal.
 

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tecendo arte na rede

Maria Flor da Pele (*)

Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.
(*) escrito por Márcia Fernanda Peçanha Martins

Saia de saia (*)(**)

Hoje, coloque uma roupa
bem à vontade e saia.
Simplesmente, saia.
Por aí, sem medo.
Desfile como majestade
e convoque toda a laia.
Faça uma gandaia.
Mande até torpedo.
O que vale é se mostrar
com micro ou minissaia.
Vista-se de cobaia.
Escreva o enredo.
Não esconda suas formas
e silencie a vaia.
Fim da maracutaia
do corpo em segredo.
Ninguém tem dono aqui.
E nem lá na praia.
Saia desta tocaia.
Assuste o bruxaredo


(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins

(**) Em solidariedade às mulheres que já militaram, militam ou ainda precisarão militar pelo feminismo no país e apoio aos movimentos de protesto contra a selvageria praticada com a estudante da Uniban

Apenas um sonho (*)


Vivendo lado a lado contigo
Andávamos de mãos dadas
E nossas almas apaixonadas
Moravam em si, num abrigo

Colhíamos sorrisos no vento
Sementes de amor e alegria
Com a mesma pena, poesia
Inspirados a todo momento

Num laço lindo, tão perfeito
Rolávamos em nosso leito
Amando-nos, tínhamos paz

Eis que um vento com efeito
Desperta-me; a cena desfaz
Era apenas sonho, nada mais...

(Lena Ferreira)

Dia de Finados, 2 de novembro


Isto é saudade (*)

Não te sentir na sala
a cuidar meus passos,
é ficar sem norte.
Isto é saudade.
Não te ceder à mala
e ajeitar teus espaços,
é falta de sorte.
Isto é saudade.

Não ouvir a tua voz
a acalentar meu rumo,
andar sem suporte.
Isto é saudade.
Não esperar por nós
para escrever o resumo,
é não ter aporte.
Isto é saudade.

Não ter teu carinho
a sussurar sentimentos
é quase um corte.
Isto é saudade.
Não tomar um vinho
com os primeiros ventos
me deixa sem porte.
Isto é saudade.

(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins, para o meu irmão que me dói sempre de tanta saudade

Dia de Finados, 2 de novembro

Finados (*)

Eu me lembro da infância...sempre o vento
nesse dia das almas, a silenciar o meu quintal,
flores recolhidas antes de o sol se pôr, atento
cessavam os risos, as vidas saiam do original.

Abraçávamos os colos que nos davam, intrigados
com aqueles olhos que se perdiam num sem-fim,
era um dia solene, separando e dividindo mundos
vivos e mortos se confundiam, tristes, em mim.

Dos cemitérios não sei, não me levavam
mas guardo os cânticos em latim e a cor roxa
e um ritual de velas e orações é que ficaram...

O mesmo vento ainda vêm rondar a minha vida,
das minhas cenas já se foram " almas queridas,
"só hoje entendo, " olhares de vazios'...."

Ana Luiza (coisas de Ana)
 

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