Poemas à flor da pele

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Cesar Augusto Ribeiro Moura Comentário de Cesar Augusto Ribeiro Moura 1 dia atrás
Concupiscências


Não acredito neste amor
No arco-íris poliflor
Neste arco-íris multicor
Na paixão entre duas almas pervertidas
Invertidas do súbito valor...

Não acredito no que vejo,
No beijo daquelas duas flores
Desfigurada de sua criação
Perderam a sua grandeza
Na sutileza do horror...

Esta aberração que não tem nome
Some diante das concupiscências
Da perversão, que com a ética acabou...
A minha voz poética enrouqueceu
Ao ver esta gente que se enlouquece
E desvirtuado se esquece
Que o absurdo esta por certo,
E que o errado nem se deu...
O bom costume desapareceu.

Deu no que deu...
No arco-íris poliflor
Neste arco-íris multicor,
Fazem da vida uma afronta a Deus
E desapontam o criador
Ao inventarem novas formas pra o amor,
Dignidade adeus...


Cesar Moura
Roseane Comentário de Roseane em 8 dezembro 2009 às 23:14
Fib ( de Natal)

Vem

Chega
Nascendo
Traz ao mundo
Humanas lições
Perfeito exemplo de vivência.
Roseane Comentário de Roseane em 6 dezembro 2009 às 0:14
FIBHAICAI


Chove ao fim da tarde
Amenizando o calor
Típico dezembro.


É
Tempo
De inverno
Na região
Vem com o Natal
Mitigar desesperança.
janaína mateus de souzza Comentário de janaína mateus de souzza em 4 dezembro 2009 às 21:54
Noite...

Noite sem você
Noite sem fim
Noite fria
Noite escura

Noite chuvosa
Noite enluarada
Noite de amor
Noite com cheiro de flor

Noite a dois
Noite só nossa!
Noite minha
Noite sua

Noite de angústia
Noite sem mim...sem você.


Jana Souzza
Roseane Comentário de Roseane em 11 novembro 2009 às 22:40
De frente para o mar, o que pensar?

...Em ti pensar.
Para ti destinar o viajar
Rumando a caminho do teu mar,
E navegar,

...E desvendar
O que há por trás do teu olhar
Esse olhar de mar
De maresia abundar,
E em ti naufragar.


...E de frente para o mar,
Em um reflexivo pensar,
Hei de te buscar,
E garrafas com mensagem atirar,
E olhar no balanço o afastar...
E orar,


...E esperar,
Eternamente esperar,
E não cansar,
E a dúvida afugentar,
E lá no fim do mar
Onde não há finitar
Ver o teu olhar,
E me atirar,
Entregue, ao mar...

E a ti.


E ao mar...
Roseane Comentário de Roseane em 8 novembro 2009 às 20:24
Pequenos conselhos poéticos (EC)



Não ponha – Poesia...

I
Não ponha nunca a colher
Nos sentimentos alheios
A rima pode ser qualquer
Mas, o resultado pode ser feio!

II
Por isso muito cuidado!
Onde a colher vai colocar
Nas coisas vindas da paixão
Bom mesmo é nem opinar!

III
Digo: Não se meta nas relações
Nem ouse sequer tomar partido
Na briga entre dois corações
Calado é quem tem maior juízo...

IV
Dos antigos um velho dizer
Moça de “vermelha bandeira”
Panela não pode mecher
A receita desanda inteira.


V
Por isso eu recomendo: atenção!
Nada de muitas mãos no cozer
Afina o ponto, perde a intenção.
Entorna o caldo, perde-se o fazer!


VI
Findo por aqui aconselhando
Não ponha mão, dedo ou colher.
Não se meta, fique só olhando.
Aborrecimento, quem afinal os quer?
Roseane Comentário de Roseane em 31 outubro 2009 às 21:44


Olhos

Olhos assim qual nuvens,
Densos,
Perdidos no tempo adverso.
Olhos meio que pretensos
Vazios,
Atirados vagantes no universo.

Olhos entregues ao léu das lembranças
Alheios.
Ausentes de febre ardente.
Olhos ressequidos, desbotados anseios,
Opacos
Léguas vão do presente.

Olhos sem tradução.
Destoantes.
Encerrados no interrogar.
Indagadores, vacilantes.
Das dores
Da premente solidão.



Olhos,
Esquivos, insones.
Desaguando afluentes
Olhos de rios que agonizam
Transparecem aridez...
Olhos sem cor, que dissipam.
Controversos, renitentes.


Olhos órfãos de amor.
Roseane Comentário de Roseane em 31 outubro 2009 às 20:52
Ando e Des_ando





Ando, quem sabe desando...



Sem rota ou rumo

Nem leme, nem lastro

Sem volta, sem prumo

Sem vela ou mastro.



Ando,

Quiçá desando....



Sem âncora ou corda

Sem laço nem nó

Bússola ou mapa

Sem lume, sem dó.



Nem farol nem carta

Sem direito ou avesso

Sem nada, sem tempo

Sem fim sem começo.



And_ando vou vag_ando...



Sem sim e sem não

Sem pé ou cabeça

Sem rima ou canção

Nem segunda, nem terça.



Vou and_ando....



Sem lua ou sol

Sem terço sem reza

Nem mar nem farol

Sem querer que se preza.



Desando..



Sem direção sem caminho

Sem afeto ou emoção

Nem árvore nem ninho

Nem alma ou coração...



Ando...



Desando mais que liberta

Desando sem guia ou cabresto

De mãos leves vou desperta

Da liberdade o pretexto.



Andando seguindo vou

Driblando o desamor

Em rimar continuo estou

Contrapondo amor e dor.



Desando meio aos versos

Sou um ser de andar sombrio

Andando, nas letras disperso

Preencho com elas o vazio.



Ando que ando sigo

Ando, desando a vida

Ando andando abrigo

Nem perdida ou guarida.
Roseane Comentário de Roseane em 31 outubro 2009 às 20:48
Saudade (em bolero e poesia)

Sofregamente assentou
Naufragada nas lembranças
Nas lágrimas debulhou
Submersa na saudade...

Amou,
E pelo amor se abandonou,
Colheu flores no caminho,
Entre risos se espalhou
Agora se corta em espinhos...

Agora sangra,
Sangra e a alma é vazia
Sofre a cama arrumada
Em prantos se esvaía.
Do mundo, não quer mais nada...


Na escuridão se trancafia
Nada vai lhe aclarar
Sente-se fraca, definha.
Ao fim pretende chegar...


Ah essa dor da saudade.
Essa vontade, esse nó.
Ah, esse peito sofrido,
Essa vida assim tão só...

O amor,
Ah, desse amor uma falta,
Do corpo a febre que vem
Desejo ardente que mata
De boca, de amar, querer bem...


Ah, esse amor de bolero.
Que dramatiza e faz sonhar
Ah, saudade de quem venero.
Saudade infinda a lancinar...

Vazio...
Silêncio a porta se fecha
O mundo é pranto imenso
Na cama vazia uma flecha
No peito certeiro lamento.
Roseane Comentário de Roseane em 25 outubro 2009 às 18:24
Saudade again

Saudade sempre será saudade
Seja em que tempo ou lugar for
Saudade reflete nossa verdade
Tem nome, cor, aroma e sabor.


Saudade, tudo que agora tenho.
Saudade do que sequer provei
Saudade que agora contenho
Lembranças que de ti guardei...


Saudade que a alma entristece
Rouba os sonhos, a esperança.
Saudade o coração arrefece
Fazendo chorar qual criança.


Saudade que me faz escrever
Versos meus destinados a ti
Saudade um poema escrever
Expressar tristes rimas, aqui.
 

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Sagitariana (*)


Uma sagitariana
Tem ares de grande mulher
Teimosa, ousada
Atrevida...

Atrapalhada
Não se deixa vencer
Pelo cansaço
Não sabe ouvir não...

Vence as lágrimas
Que derrama por tudo
Com um riso no próximo minuto

E quando você pensa que ela
Está arrasada
Ressurge feito uma fênix
Perdidamente apaixonada
Pela vida

(*) Sirlei L. Passolongo
(**) peguei um poema da Sirlei, uma sagitariana, para homenagear estas belas mulheres sagitarianas

Dia 8 de dezembro de 1994, morria Tom Jobim


Triste é viver na solidão (*)

Águas de março (**)


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira

Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira

É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira

Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho

No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando

É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama

É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José

É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,

É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminhoresto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

(*) brinquedo com a música Triste é viver na solidão

(**)Tom fez "Águas de Março " no sítio da família em Poço Fundo, Rio de Janeiro, em março de 1972. A propriedade estava passando por uma pequena reforma, que consistia basicamente no reforço de um muro. Chovia muito, e a estradinha que levava ao sítio estava enlameada. Neste ambiente de obra, chuva, e lama, Tom escreveu a letra e a música. No folheto que acompanhou a primeira gravação da música, lançada em um encarte da revista "O Pasquim" em 1972, Tom diz que foi inspirado pelos versos iniciais de Olavo Bilac em "O Caçador de Esmeraldas":

"Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada
Do outono, quando a terra, em sede requeimada,
Bebera longamente as águas da estação
Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata
À frente dos peões filhos da rude mata

Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão."

Dia 8 de dezembro de 1930, morria Florbela Espanca

Os versos que te fiz (*)(**)

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

(*) poesia de Florbela Espanca, poeta portuguesa (8 de dezembro de 1894 + 8 de dezembro de 1930)
(**) A homenagem foi feita por Sandra Antoniolli pelos 79 anos morte da mais bela flor do Alentejo...


A imagem que ilustra foi retirada da Internet (desconheço o autor), e mostra a estátua de Florbela Espanca, no Parque dos Poetas, em Vila Viçosa (Alentejo), Portugal

QUERIA...



















QUERIA...


"Queria nem sempre significa passado
Talvez, o imperfeito estado
Em que não se sabe ao certo
Se já se ia, continua ou vai se querer...

Queria, quando se refere ao amor,
É mais um sinal de impotência do que de desejo
É o presente gritando ao passado
O rompimento de algo que não se rompeu.

O ia que se foi
Antes do depois
Que se esperou por vir....

Queria, em alguns casos,
Nem deveria se derivar de verbo
Pois é o estado patético
De não se verbalizar...

Queria é camuflar o querer.
Verbo que nessa hora,
Mais que imperfeito se torna,
Pois não tenho você..." (Rose Felliciano)



*Mantenha a autoria do Poema*

*Imagem utilizada no Poema- desconheço a autoria.


Rose Felliciano


PALHAÇO





Palhaço

Cara esbranquiçada
provoca medo e riso,
cambaleia sem saída
nos enormes sapatos.

Gargalha a freguesia.

Coloridos pingentes
caem dos floreados laços,
dá cambalhotas,
senta e levanta
em desmedida alegria.

Sem borrar a boca vermelha
- aberta de orelha a orelha -.

Cabeleira postiça,
não esconde a careca
só a vida secreta
cheia de provação.

É minúsculo o chapéu,
cruzes negras nos olhos
escondem lágrimas,
só precisa alegrar o povaréu.

Faz rir,
faz chorar,
desperta o sono da criança,
o sonho da infância...

Percebe indiferentes almas,
fareja tristeza,
a inutilidade da fantasia
não engana a doença.

Insistente faz estrepolias,
provoca gargalhadas
desvia, tropeça
bate palmas.
Leva um pontapé
toma bolachada
e cai na solitária coxia.

O show da vida recomeça.





Soninha Porto


 

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