Poemas à flor da pele

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Roseane Comentário de Roseane em 11 novembro 2009 às 22:40
De frente para o mar, o que pensar?

...Em ti pensar.
Para ti destinar o viajar
Rumando a caminho do teu mar,
E navegar,

...E desvendar
O que há por trás do teu olhar
Esse olhar de mar
De maresia abundar,
E em ti naufragar.


...E de frente para o mar,
Em um reflexivo pensar,
Hei de te buscar,
E garrafas com mensagem atirar,
E olhar no balanço o afastar...
E orar,


...E esperar,
Eternamente esperar,
E não cansar,
E a dúvida afugentar,
E lá no fim do mar
Onde não há finitar
Ver o teu olhar,
E me atirar,
Entregue, ao mar...

E a ti.


E ao mar...
Roseane Comentário de Roseane em 8 novembro 2009 às 20:24
Pequenos conselhos poéticos (EC)



Não ponha – Poesia...

I
Não ponha nunca a colher
Nos sentimentos alheios
A rima pode ser qualquer
Mas, o resultado pode ser feio!

II
Por isso muito cuidado!
Onde a colher vai colocar
Nas coisas vindas da paixão
Bom mesmo é nem opinar!

III
Digo: Não se meta nas relações
Nem ouse sequer tomar partido
Na briga entre dois corações
Calado é quem tem maior juízo...

IV
Dos antigos um velho dizer
Moça de “vermelha bandeira”
Panela não pode mecher
A receita desanda inteira.


V
Por isso eu recomendo: atenção!
Nada de muitas mãos no cozer
Afina o ponto, perde a intenção.
Entorna o caldo, perde-se o fazer!


VI
Findo por aqui aconselhando
Não ponha mão, dedo ou colher.
Não se meta, fique só olhando.
Aborrecimento, quem afinal os quer?
Roseane Comentário de Roseane em 31 outubro 2009 às 21:44


Olhos

Olhos assim qual nuvens,
Densos,
Perdidos no tempo adverso.
Olhos meio que pretensos
Vazios,
Atirados vagantes no universo.

Olhos entregues ao léu das lembranças
Alheios.
Ausentes de febre ardente.
Olhos ressequidos, desbotados anseios,
Opacos
Léguas vão do presente.

Olhos sem tradução.
Destoantes.
Encerrados no interrogar.
Indagadores, vacilantes.
Das dores
Da premente solidão.



Olhos,
Esquivos, insones.
Desaguando afluentes
Olhos de rios que agonizam
Transparecem aridez...
Olhos sem cor, que dissipam.
Controversos, renitentes.


Olhos órfãos de amor.
Roseane Comentário de Roseane em 31 outubro 2009 às 20:52
Ando e Des_ando





Ando, quem sabe desando...



Sem rota ou rumo

Nem leme, nem lastro

Sem volta, sem prumo

Sem vela ou mastro.



Ando,

Quiçá desando....



Sem âncora ou corda

Sem laço nem nó

Bússola ou mapa

Sem lume, sem dó.



Nem farol nem carta

Sem direito ou avesso

Sem nada, sem tempo

Sem fim sem começo.



And_ando vou vag_ando...



Sem sim e sem não

Sem pé ou cabeça

Sem rima ou canção

Nem segunda, nem terça.



Vou and_ando....



Sem lua ou sol

Sem terço sem reza

Nem mar nem farol

Sem querer que se preza.



Desando..



Sem direção sem caminho

Sem afeto ou emoção

Nem árvore nem ninho

Nem alma ou coração...



Ando...



Desando mais que liberta

Desando sem guia ou cabresto

De mãos leves vou desperta

Da liberdade o pretexto.



Andando seguindo vou

Driblando o desamor

Em rimar continuo estou

Contrapondo amor e dor.



Desando meio aos versos

Sou um ser de andar sombrio

Andando, nas letras disperso

Preencho com elas o vazio.



Ando que ando sigo

Ando, desando a vida

Ando andando abrigo

Nem perdida ou guarida.
Roseane Comentário de Roseane em 31 outubro 2009 às 20:48
Saudade (em bolero e poesia)

Sofregamente assentou
Naufragada nas lembranças
Nas lágrimas debulhou
Submersa na saudade...

Amou,
E pelo amor se abandonou,
Colheu flores no caminho,
Entre risos se espalhou
Agora se corta em espinhos...

Agora sangra,
Sangra e a alma é vazia
Sofre a cama arrumada
Em prantos se esvaía.
Do mundo, não quer mais nada...


Na escuridão se trancafia
Nada vai lhe aclarar
Sente-se fraca, definha.
Ao fim pretende chegar...


Ah essa dor da saudade.
Essa vontade, esse nó.
Ah, esse peito sofrido,
Essa vida assim tão só...

O amor,
Ah, desse amor uma falta,
Do corpo a febre que vem
Desejo ardente que mata
De boca, de amar, querer bem...


Ah, esse amor de bolero.
Que dramatiza e faz sonhar
Ah, saudade de quem venero.
Saudade infinda a lancinar...

Vazio...
Silêncio a porta se fecha
O mundo é pranto imenso
Na cama vazia uma flecha
No peito certeiro lamento.
Roseane Comentário de Roseane em 25 outubro 2009 às 18:24
Saudade again

Saudade sempre será saudade
Seja em que tempo ou lugar for
Saudade reflete nossa verdade
Tem nome, cor, aroma e sabor.


Saudade, tudo que agora tenho.
Saudade do que sequer provei
Saudade que agora contenho
Lembranças que de ti guardei...


Saudade que a alma entristece
Rouba os sonhos, a esperança.
Saudade o coração arrefece
Fazendo chorar qual criança.


Saudade que me faz escrever
Versos meus destinados a ti
Saudade um poema escrever
Expressar tristes rimas, aqui.
Roseane Comentário de Roseane em 3 outubro 2009 às 1:35
Quem mexeu?

Quem mexeu no meu coraçãozinho
Mudou, tirou ele de lugar.
Botou ele em um barquinho
E agora? Ele não quer voltar...


No meu sentir quem mexeu?
Quem trocou o sorriso largo?
Era alegre agora entristeceu
Na tristeza vou dar um embargo...


Quem anda mexendo comigo?
Roubando o meu suspirar
Quem no meu peito pede abrigo
Não sei será que devo deixar entrar?

Mechem em tudo que é meu
No querer na alma na paz
O pior comigo já se sucedeu
O inquietar que esse sentir trás!

Peço aqui, estou ciente.
Deixem em paz meu querer bem
Deixem que eu viva o presente
Sem querer ir mais além!

Permitam que eu guie meus rumos
Deixem que eu vá comandando
Meu coração, alma, meus prumos!
Da paixão quero ir esquivando!
Roseane Comentário de Roseane em 27 setembro 2009 às 2:00
Estrela Imaginária - TRIOLÉ

Imagino para que caminho teu existir me conduz
Viajo em um olhar que de mim sempre se esconde...
Num devaneio, chego a sentir dos teus olhos a luz,
Imagino para que caminho teu existir me conduz
Quero encontrar-te descobrir o que em ti me seduz,
Deixa meu luzir chegar, vem te mostro por onde...
Imagino para que caminho teu existir me conduz
Viajo em um olhar que de mim sempre se esconde...
Roseane Comentário de Roseane em 21 setembro 2009 às 0:47
Indisfarçável sorriso - TRIOLÉ

Abro um indisfarçável sorriso
Vem-me, somente ao pensar em ti.
Pressinto, do teu amor preciso,
Abro um indisfarçável sorriso
Esse querer chega assim sem aviso
Num lampejo fecho os olhos estás aqui...
Abro um indisfarçável sorriso
Vem-me, somente ao pensar em ti.
sonia m. c. albuquerque Comentário de sonia m. c. albuquerque em 15 setembro 2009 às 10:52
CARROSSEL

Gira...gira...gira...
Vejo/passa
Vejo/perco
Vejo /não vejo mais!

É como vivo:
em círculos atordoantes,
ora vislumbrando o caminho,
ora perdendo o rumo.

Giro...giro...giro...
Vejo/passa
Vejo/perco
Vejo/não vejo mais.


14/9/09
 

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Maria Flor da Pele (*)

Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.
(*) escrito por Márcia Fernanda Peçanha Martins

Saia de saia (*)(**)

Hoje, coloque uma roupa
bem à vontade e saia.
Simplesmente, saia.
Por aí, sem medo.
Desfile como majestade
e convoque toda a laia.
Faça uma gandaia.
Mande até torpedo.
O que vale é se mostrar
com micro ou minissaia.
Vista-se de cobaia.
Escreva o enredo.
Não esconda suas formas
e silencie a vaia.
Fim da maracutaia
do corpo em segredo.
Ninguém tem dono aqui.
E nem lá na praia.
Saia desta tocaia.
Assuste o bruxaredo


(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins

(**) Em solidariedade às mulheres que já militaram, militam ou ainda precisarão militar pelo feminismo no país e apoio aos movimentos de protesto contra a selvageria praticada com a estudante da Uniban

Apenas um sonho (*)


Vivendo lado a lado contigo
Andávamos de mãos dadas
E nossas almas apaixonadas
Moravam em si, num abrigo

Colhíamos sorrisos no vento
Sementes de amor e alegria
Com a mesma pena, poesia
Inspirados a todo momento

Num laço lindo, tão perfeito
Rolávamos em nosso leito
Amando-nos, tínhamos paz

Eis que um vento com efeito
Desperta-me; a cena desfaz
Era apenas sonho, nada mais...

(Lena Ferreira)

Dia de Finados, 2 de novembro


Isto é saudade (*)

Não te sentir na sala
a cuidar meus passos,
é ficar sem norte.
Isto é saudade.
Não te ceder à mala
e ajeitar teus espaços,
é falta de sorte.
Isto é saudade.

Não ouvir a tua voz
a acalentar meu rumo,
andar sem suporte.
Isto é saudade.
Não esperar por nós
para escrever o resumo,
é não ter aporte.
Isto é saudade.

Não ter teu carinho
a sussurar sentimentos
é quase um corte.
Isto é saudade.
Não tomar um vinho
com os primeiros ventos
me deixa sem porte.
Isto é saudade.

(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins, para o meu irmão que me dói sempre de tanta saudade

Dia de Finados, 2 de novembro

Finados (*)

Eu me lembro da infância...sempre o vento
nesse dia das almas, a silenciar o meu quintal,
flores recolhidas antes de o sol se pôr, atento
cessavam os risos, as vidas saiam do original.

Abraçávamos os colos que nos davam, intrigados
com aqueles olhos que se perdiam num sem-fim,
era um dia solene, separando e dividindo mundos
vivos e mortos se confundiam, tristes, em mim.

Dos cemitérios não sei, não me levavam
mas guardo os cânticos em latim e a cor roxa
e um ritual de velas e orações é que ficaram...

O mesmo vento ainda vêm rondar a minha vida,
das minhas cenas já se foram " almas queridas,
"só hoje entendo, " olhares de vazios'...."

Ana Luiza (coisas de Ana)
 

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