Poemas à flor da pele

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Lílian Maial
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LABIRINTO – para Luiz Fernando e Bruno Prôa ®Lílian Maial Um choro súbito - a chegada! Corredeira de risos, travessuras e caminhos. Um sopro abrupto, a mão fantasma que leva o menino. Um gole, um trago, um cheiro, um pico e um poço fundo e insoss…
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ÍMPAR ®Lílian Maial Dia de sol e vazio, que preencho de saudade e de vivências: mar, areia, pegadas, conchas, montinhos, água-viva, mar, sorvete, biscoito Globo, caminhadas, mergulhos, jacarés, papai, mamãe, filho e filha, amiga que veio e que foi…
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DOSES HOMEOPÁTICAS

DOSES HOMEOPÁTICAS
®Lílian Maial

Não sei se prefiro
o doce arsênico do teu raro sorriso,
ou a cicuta cruel da tua indiferença.
De qualquer forma,
a morte é certa
e lenta.

***********

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Lílian Maial

LABIRINTO – para Luiz Fernando e Bruno Prôa

LABIRINTO – para Luiz Fernando e Bruno Prôa
®Lílian Maial



Um choro súbito - a chegada!
Corredeira de risos, travessuras e caminhos.
Um sopro abrupto,
a mão fantasma que leva o menino.
Um gole, um trago, um cheiro,
um pico e um poço fundo e insosso.
Desfilam anjos em revoadas,
Desejos travestidos de monstros… Continuar

Postado em 1 novembro 2009 às 13:56 ‚Äî

Lílian Maial

ÍMPAR

ÍMPAR
®Lílian Maial


Dia de sol e vazio, que preencho de saudade e de vivências:
mar, areia, pegadas, conchas, montinhos, água-viva,
mar, sorvete, biscoito Globo, caminhadas, mergulhos, jacarés,
papai, mamãe, filho e filha,
amiga que veio e que foi,
garçons suados sonhando,
a música, de repente,
o inseto que pousa,
a brisa que brinca,
o riso da criança,
o sol me queimando,
a cerveja esquentando,
todo mundo feliz e eu, prenhe de ti,
sem os teus olhos e o teu cheiro,
mas com este amor que não sai… Continuar

Postado em 22 agosto 2009 às 20:56 ‚Äî

Lílian Maial

MARIA É MORTA

MARIA É MORTA
®Lílian Maial






Já foi dondoca, alcoviteira e parasita,
foi traiçoeira, andou de burro e fez a vida,
já suportou tanta miséria sem comida,
subiu no palco, amamentou e foi bendita.


Era Maria, sem afago e, na desdita,
a
Continuar

Postado em 28 março 2009 às 18:35 ‚Äî

Lílian Maial

PAZ EM GAZA, PARA TER PAZ EM CASA!

®Lílian Maial


Parem tudo!
Não podemos ficar de braços cruzados diante da chacina!
Não importa se é lá longe, se é por razões que não entendemos, se não nos diz respeito. Espera aí! Como não nos diz respeito? Somos todos a mesma coisa, da mesma espécie: pele e osso, sangue e lágrima, vida que faz vida. Não podemos ficar impassíveis diante de qualquer horror! Não podemos ter paz na nossa casa, se há tanta desumanidade em Gaza (ou qualquer outro lugar).
Não importa quem tem razão. Interessa apena… Continuar

Postado em 11 janeiro 2009 às 18:35 ‚Äî

Lílian Maial

ROSAS EM MEU PEITO

ROSAS EM MEU PEITO
®Lílian Maial






Tenho rosas em meu peito,
as que perfumam
e as que ferem.
Rosas vivas,
opostas ao frio inerte que (pre)ssinto,
ao limbo de primavera,
a essa ausência de suor.

Tenho pétalas nas mãos,
secas e desbotadas pétalas,
num ramalhete macabro,
presente de um final sem fim.

Restam-me espinhos nos lábios,
sorrisos murchos ou esquecidos das cores,
lembranças fech… Continuar

Postado em 8 setembro 2008 às 21:00 ‚Äî 1 Comentário

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Às 15:10 em 23 agosto 2009, Quem é o poeta? disse...
Na coluna deste dia
Queria mesmo ler.
A sua bela poesia
Para não esquecer.
Às 22:43 em 5 março 2009, Rô Lopes disse...
Lilian. sempre bom ler voce.
bjo
Às 18:51 em 11 setembro 2008, Lílian Maial disse...
Obrigada, amiga!
Sabe que eu às vezes até esqueço dos locais onde tenho poemas?
Foi bom, pq vou postar coisas novas por aqui tb.
Bijão
Às 11:34 em 8 setembro 2008, Luciane Lopes disse...
Oi amiga, te encontrei por aqui, obaaa! rs
aDORO SUAS CRIAÇÕES!
SUA FÃ, BEIJOSSS
 
 

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Sagitariana (*)


Uma sagitariana
Tem ares de grande mulher
Teimosa, ousada
Atrevida...

Atrapalhada
Não se deixa vencer
Pelo cansaço
Não sabe ouvir não...

Vence as lágrimas
Que derrama por tudo
Com um riso no próximo minuto

E quando você pensa que ela
Está arrasada
Ressurge feito uma fênix
Perdidamente apaixonada
Pela vida

(*) Sirlei L. Passolongo
(**) peguei um poema da Sirlei, uma sagitariana, para homenagear estas belas mulheres sagitarianas

Dia 8 de dezembro de 1994, morria Tom Jobim


Triste é viver na solidão (*)

Águas de março (**)


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira

Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira

É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira

Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho

No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando

É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama

É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José

É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,

É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminhoresto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

(*) brinquedo com a música Triste é viver na solidão

(**)Tom fez "Águas de Março " no sítio da família em Poço Fundo, Rio de Janeiro, em março de 1972. A propriedade estava passando por uma pequena reforma, que consistia basicamente no reforço de um muro. Chovia muito, e a estradinha que levava ao sítio estava enlameada. Neste ambiente de obra, chuva, e lama, Tom escreveu a letra e a música. No folheto que acompanhou a primeira gravação da música, lançada em um encarte da revista "O Pasquim" em 1972, Tom diz que foi inspirado pelos versos iniciais de Olavo Bilac em "O Caçador de Esmeraldas":

"Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada
Do outono, quando a terra, em sede requeimada,
Bebera longamente as águas da estação
Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata
À frente dos peões filhos da rude mata

Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão."

Dia 8 de dezembro de 1930, morria Florbela Espanca

Os versos que te fiz (*)(**)

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

(*) poesia de Florbela Espanca, poeta portuguesa (8 de dezembro de 1894 + 8 de dezembro de 1930)
(**) A homenagem foi feita por Sandra Antoniolli pelos 79 anos morte da mais bela flor do Alentejo...


A imagem que ilustra foi retirada da Internet (desconheço o autor), e mostra a estátua de Florbela Espanca, no Parque dos Poetas, em Vila Viçosa (Alentejo), Portugal

QUERIA...



















QUERIA...


"Queria nem sempre significa passado
Talvez, o imperfeito estado
Em que não se sabe ao certo
Se já se ia, continua ou vai se querer...

Queria, quando se refere ao amor,
É mais um sinal de impotência do que de desejo
É o presente gritando ao passado
O rompimento de algo que não se rompeu.

O ia que se foi
Antes do depois
Que se esperou por vir....

Queria, em alguns casos,
Nem deveria se derivar de verbo
Pois é o estado patético
De não se verbalizar...

Queria é camuflar o querer.
Verbo que nessa hora,
Mais que imperfeito se torna,
Pois não tenho você..." (Rose Felliciano)



*Mantenha a autoria do Poema*

*Imagem utilizada no Poema- desconheço a autoria.


Rose Felliciano


PALHAÇO





Palhaço

Cara esbranquiçada
provoca medo e riso,
cambaleia sem saída
nos enormes sapatos.

Gargalha a freguesia.

Coloridos pingentes
caem dos floreados laços,
dá cambalhotas,
senta e levanta
em desmedida alegria.

Sem borrar a boca vermelha
- aberta de orelha a orelha -.

Cabeleira postiça,
não esconde a careca
só a vida secreta
cheia de provação.

É minúsculo o chapéu,
cruzes negras nos olhos
escondem lágrimas,
só precisa alegrar o povaréu.

Faz rir,
faz chorar,
desperta o sono da criança,
o sonho da infância...

Percebe indiferentes almas,
fareja tristeza,
a inutilidade da fantasia
não engana a doença.

Insistente faz estrepolias,
provoca gargalhadas
desvia, tropeça
bate palmas.
Leva um pontapé
toma bolachada
e cai na solitária coxia.

O show da vida recomeça.





Soninha Porto


 

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