Poemas à flor da pele

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FÁTIMA MOTA
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FÁTIMA MOTA

SONHO E REALIDADE

Sonho e realidade.

Em algum lugar do passado
Deixei sonhos e quimeras
Parti em busca de longínquas terras.

Em algum lugar do presente
Redesenhei meus desejos
E sem receios, tentei vivê-los.

Meus sonhos ainda permanecem
Alguns tornaram-se realidade.

*Fátima Mota*

23/08/2009

Postado em 24 agosto 2009 às 1:22 ‚Äî

FÁTIMA MOTA

FOLHETIM

Folhetim

Por entre as dobras do cetim
teu cheiro, inesquecível, exala!
Espalhaste cheiro de alecrim,
de ti impregnado, até na minha sala.

Entre um vinho e beijos de carmim
o meu corpo ao teu se acasala.
Por entre as dobras do cetim
teu cheiro, inesquecível, exala!

Redesenho teu desejo, gasto meu latim
consulto búzios, procuro-te na mandala.
Não sei em qual página te li no folhetim
ou se é apenas fértil sonho que se instala
por entre as dobras do cetim.

*Fátima Mota*& Edir Pina (Mote)
Continuar

Postado em 16 agosto 2009 às 3:47 ‚Äî

FÁTIMA MOTA

AIS

Ais

Ai de mim
que agito-me
com o apito da chaleira,
pois é chegada a hora
e a porta aberta...
espera.

Ai de mim
que suspiro o teu cheiro
na noite de lua cheia
e nos alvos lençóis.

Ai de mim que grito aos ventos
o desejo da tua fala mansa
cavoucando o meu ouvido.

Ai de mim que bocejo
antecipando a tua hora de dormir.

Ai de mim
que sereno os teus remansos
e desencadeio tuas avalanches.

Ai de mim que espeto-me
em versos prolixos
e numa poesia arranhada.

Ai dos meus silêncios engolidos,
Continuar

Postado em 14 agosto 2009 às 23:02 ‚Äî

Caixa de Recados (7 comentários)

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Às 1:11 em 24 novembro 2009, Dilean de Bragança disse...
Que lindo poetisa!!! Parabéns por tamanha sensibilidade! Recebi seu convite par amigo, mas não acho a opção aceitar...Estou me familiarizando por aqui. Desde já seja bem vinda!
Às 15:07 em 26 outubro 2009, Dilean de Bragança disse...
Obgda Pela vivisnha ! Fico feliz que tenha gostado de Rimas Ricas. Volte sempre! Bjus
Às 19:41 em 27 setembro 2009, marco paulo ferreira correia disse...

Visit amizade sem limite
Às 16:25 em 28 agosto 2009, deduce disse...

Às 14:25 em 24 agosto 2009, Gilda Miranda Krause disse...
Olá! vim convidar você pra participar do grupo de prosa. Venha conferir e veja como está animada a nossa roda de rposa! Não deixe de dar uma passadinha... puxe umacadeira, e divirta-se! É só clicar no link abaixo!

VAI UMA PROSA AÍ?
Às 22:17 em 14 agosto 2009, Roseane disse...
Fazinha! venha mais! venha sempre!
bjus
Rose
Às 22:19 em 13 agosto 2009, Roseane disse...
Fazinha! bom te encontrar sempre!
beijos! meu carinho!
Rose
 
 

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Sagitariana (*)


Uma sagitariana
Tem ares de grande mulher
Teimosa, ousada
Atrevida...

Atrapalhada
Não se deixa vencer
Pelo cansaço
Não sabe ouvir não...

Vence as lágrimas
Que derrama por tudo
Com um riso no próximo minuto

E quando você pensa que ela
Está arrasada
Ressurge feito uma fênix
Perdidamente apaixonada
Pela vida

(*) Sirlei L. Passolongo
(**) peguei um poema da Sirlei, uma sagitariana, para homenagear estas belas mulheres sagitarianas

Dia 8 de dezembro de 1994, morria Tom Jobim


Triste é viver na solidão (*)

Águas de março (**)


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira

Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira

É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira

Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho

No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando

É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama

É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José

É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,

É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminhoresto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

(*) brinquedo com a música Triste é viver na solidão

(**)Tom fez "Águas de Março " no sítio da família em Poço Fundo, Rio de Janeiro, em março de 1972. A propriedade estava passando por uma pequena reforma, que consistia basicamente no reforço de um muro. Chovia muito, e a estradinha que levava ao sítio estava enlameada. Neste ambiente de obra, chuva, e lama, Tom escreveu a letra e a música. No folheto que acompanhou a primeira gravação da música, lançada em um encarte da revista "O Pasquim" em 1972, Tom diz que foi inspirado pelos versos iniciais de Olavo Bilac em "O Caçador de Esmeraldas":

"Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada
Do outono, quando a terra, em sede requeimada,
Bebera longamente as águas da estação
Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata
À frente dos peões filhos da rude mata

Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão."

Dia 8 de dezembro de 1930, morria Florbela Espanca

Os versos que te fiz (*)(**)

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

(*) poesia de Florbela Espanca, poeta portuguesa (8 de dezembro de 1894 + 8 de dezembro de 1930)
(**) A homenagem foi feita por Sandra Antoniolli pelos 79 anos morte da mais bela flor do Alentejo...


A imagem que ilustra foi retirada da Internet (desconheço o autor), e mostra a estátua de Florbela Espanca, no Parque dos Poetas, em Vila Viçosa (Alentejo), Portugal

QUERIA...



















QUERIA...


"Queria nem sempre significa passado
Talvez, o imperfeito estado
Em que não se sabe ao certo
Se já se ia, continua ou vai se querer...

Queria, quando se refere ao amor,
É mais um sinal de impotência do que de desejo
É o presente gritando ao passado
O rompimento de algo que não se rompeu.

O ia que se foi
Antes do depois
Que se esperou por vir....

Queria, em alguns casos,
Nem deveria se derivar de verbo
Pois é o estado patético
De não se verbalizar...

Queria é camuflar o querer.
Verbo que nessa hora,
Mais que imperfeito se torna,
Pois não tenho você..." (Rose Felliciano)



*Mantenha a autoria do Poema*

*Imagem utilizada no Poema- desconheço a autoria.


Rose Felliciano


PALHAÇO





Palhaço

Cara esbranquiçada
provoca medo e riso,
cambaleia sem saída
nos enormes sapatos.

Gargalha a freguesia.

Coloridos pingentes
caem dos floreados laços,
dá cambalhotas,
senta e levanta
em desmedida alegria.

Sem borrar a boca vermelha
- aberta de orelha a orelha -.

Cabeleira postiça,
não esconde a careca
só a vida secreta
cheia de provação.

É minúsculo o chapéu,
cruzes negras nos olhos
escondem lágrimas,
só precisa alegrar o povaréu.

Faz rir,
faz chorar,
desperta o sono da criança,
o sonho da infância...

Percebe indiferentes almas,
fareja tristeza,
a inutilidade da fantasia
não engana a doença.

Insistente faz estrepolias,
provoca gargalhadas
desvia, tropeça
bate palmas.
Leva um pontapé
toma bolachada
e cai na solitária coxia.

O show da vida recomeça.





Soninha Porto


 

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