Poemas à flor da pele

A Poemas é tri!

Marco Araujo
  • Masculino
  • Rio grande do sul
  • Brasil
Compartilhar 
  • Mensagens de blog
  • Tópicos
  • Eventos
  • Grupos (1)
  • Fotos
  • Álbuns de Fotos

Amigos de Marco Araujo

Grupos de Marco Araujo

 

Marco Araujo. "Perdido em mim venci a madrugada, abri meu coração e cantei a velha canção do caminho. Sejam benvindos!!! www.marcoaraujo.com


Canção Sem Tempo

Há muito que procuro a verdade
Invento frases e reencontro a fantasia
Respiro, reverbero e reinvento pensamentos
Desfaço o julgamento, o argumento e a palavra
Condeno e me condeno ao sentimento
De querer uma canção sem tempo

Algo entre a lembrança de um amor sem fim
E o futuro revelado em amargura
Livre como a rima que perdura pelas luas
De um caminho anunciado em poesia
Vereda que intenta flores, frutos e perfumes
Alhures - um destino traiçoeiro

Há muito que procuro a humanidade
E a leitura abstrata de seus modos
Seja no afeto de um pequeno movimento
Repleto de doçura e acolhimento
Seja na loucura do querer concreto
Lascivo, direto e apaixonado

Um trem sem freios que desabalado
Se vai determinado - incauto - vida afora
Passageiro peregrino do pecado
A revelia do presente e do passado
Há muito que procuro humanidade
No tempo, na pergunta e na resposta

by Marco Araujo

"porto alegre dos andares" foto:marco araujo

Verônica, o Céu e o Inferno

Verônica surgiu do nada. Usava saias curtas, camisetas largas e aparentava 17 anos. Escondia o excesso de peso concentrado no abdômen ao tempo que valorizava os protuberantes e empinados seios. Era sobrinha de alguém que não conhecíamos e apareceu num começo de outono. Apareceu como uma flor que resistira o verão e teimava em enfrentar o inverno.
No repertório, uma infinidade de novidades que, para a época, eram premissa dos extravagantes. Dizia-se da capital e impressionava pela desenvoltura que falava de questões proibidas. Surpreendia-mos com seu conhecimento sobre a trilogia sexo, drogas e rock’roll. Discorria – displicente e longínqua – sobre aventuras em lugares mágicos, viagens extraordinárias que, amplificadas por nossa imaginação, tomavam proporções imensas.
Lembro de perder o sono com isso. Como seria eu na pele de um daqueles anti-heróis urbanos? O que faria diante de situações com traficantes sequiosos ou policiais sedentos ou famílias desesperadas? Como enfrentaria o olhar severo das imagens santas da capela do Sagrado Coração de Maria? Meu coração se dividia entre o gosto pelo desconhecido e a cultura que convivia.
Transitava com os personagens de Verne, Dumas, Twain e Victor Hugo, enfim, era comum sonhar-me combatendo bugres ao lado de I-Juca Pirama. Era Verônica, o céu e o inferno e, pela primeira vez, sentia-me tentado. Tanto que me apaixonei por ela. Inevitável.
Verônica não tinha horário nem hábitos; nem primas nem amigas. Surgia sem anúncios. Era como a tempestade; arrebatadora e magnífica. Mostrava-se a cada dia diferente; ora provocante por vezes distante. Nunca descartei a idéia de declarar-me, acho que todos os meus amigos pensaram nisso - faltava-nos coragem. Até poema escrevi pra ela - nunca mostrei, faziam parte de um mundo que só a nos dois pertencia. Sentia-me livre a seu lado, pouco falava. Bastava estar ali e beber e beber e beber o êxtase daquele canto.
Um dia, sem adeus, ela foi-se embora. Nunca esqueci, tampouco esperei sua volta.

by Marco Araujo

foto: Thiago Piccoli


O Ovo ou a Galinha

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”
Oscar Wilde"


A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Oscar Wilde, pensador e poeta irlandês do século XIX, declarava que a vida imita a arte muito mais que a arte imita a vida, todavia, parece a pergunta ter maior significado que qualquer resposta formulada. A vida, tanto por concepção como por desenvolvimento, é um processo criativo e, assim como a arte, tem sua origem na espiritualidade. Por isso, não seria errado deduzir que vida e arte se confundem e, como o ovo e a galinha, são farinha do mesmo saco.

Realidade ou ficção? Crença ou fantasia? O viver em sociedade presume, por parte do indivíduo, o desenvolvimento da sensibilidade em etapas pertinentes ao seu crescimento cronológico. Nos primórdios, o saber é construído a partir da trilogia mito, crença e tradição; o conhecimento adquirido pelas vivências daquele povo através de sua história, repassado de geração em geração. A essa realidade, incorpora-se a filosofia e depura-se pensamento e sensibilidade conduzindo o ser à expressão consciente de suas emoções. O intuitivo organizado e expressado na escrita, música, pintura e representação; o homem como imagem e semelhança de Deus ocupando seu lugar de timoneiro na existência, seja temporal ou espiritual.

Ser ou não ser? Luz ou escuridão? São questionamentos que não envelhecem considerando, até nossos dias, a trajetória percorrida pela humanidade e sua cultura. A imensa quantidade de teorias relacionadas à educação referenda, em pequena escala, correntes de pensamento pedagógico no sentido da inclusão e prática da comunicação da arte e ludicidade na formação integral do sujeito, seja aluno ou professor. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96 veio, teoricamente, permitir a implementação da arte no contexto da educação infantil, destacando sua necessidade nos conceitos sensíveis e culturais, admitindo sua importância sob o aspecto cognitivo, o que nunca antes havia sido considerado. Porém, por ainda vivermos um ensino mecanicista e direcionado aos resultados, são antagônicas as práticas recomendadas.

Cantar no coro? Fazer o solo? A prática artística é o exercício singular de uma técnica determinada para execução, expressão e contemplação individual ou coletiva. Sua aplicação na escola formal seria - a partir de um projeto ideologicamente definido - o desenvolvimento de didática específica para sua convivência, seja inter, multi ou transdisciplinar. Exercícios de respiração, relaxamento e percepção; oficinas de literatura, desenho e pintura; o folclore e suas conseqüências; a música e o teatro com seus respectivos desígnios; todas relacionadas e elaboradas ao universo cronológico correspondente. Ainda, a utilização dos recursos multimídia e a rotina estipulada para a assistência de espetáculos, visitação de museus e exposição de artes. Um elenco de atividades entre educando e educador que, através da troca de experiências e afeto, produza desenvolvimento crítico e estético e, por conseqüência, sujeitos comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa.

By Marco Araujo

Caixa de Recados (14 comentários)

Você precisa ser um membro de Poemas à flor da pele para adicionar comentários!

Entrar nesta rede social

Às 18:04 em 10 novembro 2009, vania viana disse...
Obrigada por me add, vamos trocar as nossa figurinhas rs
beijossssss
Em 5:38pm on novembro 02, 2009, EtelvinaGonçalves Costa deu para Marco Araujo um presente...
presentinho para o Marco um abrç tetita
Da Loja de presentes
Às 15:52 em 24 agosto 2009, Gilda Miranda Krause disse...
Olá! Vim convidar você pra participar do grupo de prosa. Venha conferir e veja como está animada a nossa roda de rposa! Não deixe de dar uma passadinha... puxe umacadeira, e divirta-se! É só clicar no link abaixo!

VAI UMA PROSA AÍ?
Às 5:23 em 5 agosto 2009, marylife disse...
AMORES DESCARTAVÉIS

hoje somente hoje quero cantar a minha alma
na calmaria do meu hoje, minha alma chora vazia
sem por que, clama por alguém, por e estar sozinha
hoje nessa madrugada fria e sem coração passa lentamente
sinto-me enganada, desprotegida pelos abraços que ficaram inertes
sangro por dentro onde ninguém possa ver esse sangue quente escorrer
sinto falta de algo talvez de amar e ser realmente amada por igual
onde esta o amor? que caminho seguiu? com quem caminhou?
há se minhas estranhas pudessem me mostrar a saída dessa angustia
se os meus olhos cansados de segurar as lágrimas que teimam rolar
pelas minhas faces, deixar apenas sobressair as adrenalinas do amor
entrar na magia do momento de amar do somente amar
extirpar a dor, de ser enganada por uma falsa ilusão em meio
dessa escuridão febril dividir o que poderia ser meu com varias fantasias
variadas vestidas com vários tipos de tecidos imaginários de curta duração
onde o nada é muito pouco para que vire trapo esfarrapado trocado
a todo o momento. amores descartáveis depositados no monturo dos nossos corações,
ato do posti marylife
Às 4:10 em 1 agosto 2009, Gilda Miranda Krause disse...
Oi Marco! Vamos prosear? Vim te convidar pra entrar no grupo "VAI UMA PROSA AÍ?" e aumentar a roda da conversa contribuindo com seus textos e comentários. Vamos? Já vi umas prosas maravilhosas por aqui... Posta lá pra gente!!! Abraço.
Às 0:16 em 23 julho 2009, Joaquim Moncks disse...
A MÚSICA E SEUS COMPASSOS

Joaquim Moncks

– para Marco Araújo, poeta, músico e compositor.

Viver é um risco, um desafio. E não há como querer mensurar o tempo de viver. Cada um tem o seu tempo. Nunca se sabe por quanto tempo vai bater o músculo.

Quando a saúde baqueia, todos os afetos em volta do vivente ficam de mãos postas, impotentes. Descobre-se, por vezes, um deus que se negava existência. Assim é.

Um mistério esta sensação de que o fio de linha entre o nascer e o morrer vai se romper.

Quando se recebe a notícia, o coração da gente bobeia, a cuca fica escangalhada, se tem vontade de fazer algo que se sabe longe de nosso alcance.

À hora das refeições, a fome se vai. A vontade é dormir pra não recordar do suplício das iminentes perdas.

Uma luzinha tremeluzente no fim do túnel nos sinaliza com a possibilidade de que o novelo de viver continuará dando linha. E mergulhamos na dimensão humana com o único escudo: a fé, sem desesperançar.

O sol vai nascer amanhã? Comemoremos. Sempre há algo a bebemorar, quando o brinde é à vida.

Somemo-nos aos desejos de bem-aventurança, enquanto os magos da medicina fazem o seu trabalho. O bisturi no aneurisma, no miocárdio, ou em qualquer órgão vital pode ser levado pela mão divina.

Sei que nada ocorre fora de hora. E logo me apercebo que o silêncio do homem pode ser crucial para o desfecho. Somos pequenos demais pra conversarmos com deus ou com a tinhosa que nos levará um dia. Mas a vida e a morte são faces da mesma moeda.

Viver nem sempre é solução para os livres. E matamo-nos de várias maneiras, sem piedade. O uso de drogas fortes é uma delas. Para os escravos é condenação. E sempre vai haver escravocratas de plantão. Só a Liberdade justifica a vida.

Por ora, enquanto o amigo está na sala de operações, baqueando, é orar ou não. A liberdade é dual. Fico entre o confrangimento e a perda da fé. O recurso é o choro. E não baquear no essencial.

Amanhã, o sol vai luzir forte implantado no coração. E comporei um poema de aleluia. Sem brilho estético, apenas haurindo o respirar da esperança. Enfim, música!

– Do livro O HÁLITO DAS PALAVRAS, 2008/2009.
http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/1713476
Às 0:13 em 23 julho 2009, Joaquim Moncks disse...
Desejo que a tua recuperação corra bem. Cuida-te, gaudério papareia! Não deixa que a tinhosa te roube de nós! Abração do cebeiro JM.
Às 9:27 em 22 julho 2009, Jaqueline Serávia disse...
Oi, Marcos.

Seja muito bem vindo!

Abraço,
Jaqueline
Às 22:22 em 19 julho 2009, Marisa Pasternak disse...
Seja bem vindo mei amigo...
Beijos
Às 13:11 em 19 julho 2009, Carla Roberta Lopes disse...
Ô Marco...o pouco que sei sobre você já me convida a admirá-lo profundamente, e agradecê-lo por cuidar tão bem da minha irmã querida.
Penso dispensável qualquer humilde e leigo comentário meu em suas produções, pois são todas encantadoras, repletas de sentimento amoroso.
Beijos, Deus o abençoe.
 
 

Sobre

soninha porto soninha porto criou esta rede social no Ning.

Últimas atividades

Livia Where entrou no grupo de fátima queiroz
7 minutos atrás
Livia Where entrou no grupo de soninha porto
Poetas, escritores, aprendizes, curiosos: Escrevam sobre o que der na cabeça, mas escrevam.
19 minutos atrás
Gilbamar de Oliveira Bezerra adicionou 3 postagens ao blog
1 hora atrás
Livia Where adicionou uma postagem no blog
Vivo uma busca incessante pela pessoa que mora dentro dessa, que passa por mim, que senta ao meu lado, que, sem querer esbarra e, na pressa, desculpa-se apenas com um olhar. Um olhar em que a expressão é involuntária, mecânica e, justamente por is...
1 hora atrás
Alegria é Paquetá Veraneio em Paquetá Sonhei que estava lá Nesta ilha da fantasia, O meu desejo é te tocar Terra feita de poesia Enfeita de alegria o coração da gente Ilha do sol nascente. As matas de suas vestes Rimam com as palmeiras e o baob...
1 hora atrás
Escrever um poema, estilo livre, que será considerado o Poema Oficial do grande Projeto de Antonio Poeta, Glorinha Gaivota, Jl e Afonso Estebanez que estão engajados em transformar a Ilha de Paquetá, na Ilha da Poesia, viagem pessoal!
1 hora atrás
Mena Azevedo atualizaram suas fotos do perfil
1 hora atrás
Mena Azevedo adicionou 2 postagens ao blog
1 hora atrás

Fórum

Tania Tome

Showesia conceito

Iniciado por Tania Tome em OPINIÃO 1 dia atrás.

Raphael Pacheco Seabra

Cemitério de futilidades 4 respostas 

Iniciado por Raphael Pacheco Seabra em Só Poesia.... Última resposta de Raphael Pacheco Seabra 24 Nov.

Raphael Pacheco Seabra

Desgaste

Iniciado por Raphael Pacheco Seabra em Só Poesia... 22 Nov.

Raphael Pacheco Seabra

Domingo

Iniciado por Raphael Pacheco Seabra em Só Poesia... 22 Nov.

Eduardo Dinis Henriques

FUTEBOL

Iniciado por Eduardo Dinis Henriques em Só Poesia... 11 Nov.

Badge

Carregando...

tecendo arte na rede

Maria Flor da Pele (*)

Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.
(*) escrito por Márcia Fernanda Peçanha Martins

Saia de saia (*)(**)

Hoje, coloque uma roupa
bem à vontade e saia.
Simplesmente, saia.
Por aí, sem medo.
Desfile como majestade
e convoque toda a laia.
Faça uma gandaia.
Mande até torpedo.
O que vale é se mostrar
com micro ou minissaia.
Vista-se de cobaia.
Escreva o enredo.
Não esconda suas formas
e silencie a vaia.
Fim da maracutaia
do corpo em segredo.
Ninguém tem dono aqui.
E nem lá na praia.
Saia desta tocaia.
Assuste o bruxaredo


(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins

(**) Em solidariedade às mulheres que já militaram, militam ou ainda precisarão militar pelo feminismo no país e apoio aos movimentos de protesto contra a selvageria praticada com a estudante da Uniban

Apenas um sonho (*)


Vivendo lado a lado contigo
Andávamos de mãos dadas
E nossas almas apaixonadas
Moravam em si, num abrigo

Colhíamos sorrisos no vento
Sementes de amor e alegria
Com a mesma pena, poesia
Inspirados a todo momento

Num laço lindo, tão perfeito
Rolávamos em nosso leito
Amando-nos, tínhamos paz

Eis que um vento com efeito
Desperta-me; a cena desfaz
Era apenas sonho, nada mais...

(Lena Ferreira)

Dia de Finados, 2 de novembro


Isto é saudade (*)

Não te sentir na sala
a cuidar meus passos,
é ficar sem norte.
Isto é saudade.
Não te ceder à mala
e ajeitar teus espaços,
é falta de sorte.
Isto é saudade.

Não ouvir a tua voz
a acalentar meu rumo,
andar sem suporte.
Isto é saudade.
Não esperar por nós
para escrever o resumo,
é não ter aporte.
Isto é saudade.

Não ter teu carinho
a sussurar sentimentos
é quase um corte.
Isto é saudade.
Não tomar um vinho
com os primeiros ventos
me deixa sem porte.
Isto é saudade.

(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins, para o meu irmão que me dói sempre de tanta saudade

Dia de Finados, 2 de novembro

Finados (*)

Eu me lembro da infância...sempre o vento
nesse dia das almas, a silenciar o meu quintal,
flores recolhidas antes de o sol se pôr, atento
cessavam os risos, as vidas saiam do original.

Abraçávamos os colos que nos davam, intrigados
com aqueles olhos que se perdiam num sem-fim,
era um dia solene, separando e dividindo mundos
vivos e mortos se confundiam, tristes, em mim.

Dos cemitérios não sei, não me levavam
mas guardo os cânticos em latim e a cor roxa
e um ritual de velas e orações é que ficaram...

O mesmo vento ainda vêm rondar a minha vida,
das minhas cenas já se foram " almas queridas,
"só hoje entendo, " olhares de vazios'...."

Ana Luiza (coisas de Ana)
 

© 2009   Criado por soninha porto no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço