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Postado em 28 julho 2009 às 11:00 ‚Äî
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Poemas à flor da pele
Iniciado por Adroaldo Bauer Spíndola Corrêa em Só Poesia.... Última resposta de iane mello 7 Dez.
Iniciado por Raphael Pacheco Seabra em Só Poesia.... Última resposta de iane mello 7 Dez.
Iniciado por Tania Tome em OPINIÃO 27 Nov.
Iniciado por Raphael Pacheco Seabra em Só Poesia.... Última resposta de Raphael Pacheco Seabra 24 Nov.
Iniciado por Raphael Pacheco Seabra em Só Poesia... 22 Nov.


(**)Tom fez "Águas de Março " no sítio da família em Poço Fundo, Rio de Janeiro, em março de 1972. A propriedade estava passando por uma pequena reforma, que consistia basicamente no reforço de um muro. Chovia muito, e a estradinha que levava ao sítio estava enlameada. Neste ambiente de obra, chuva, e lama, Tom escreveu a letra e a música. No folheto que acompanhou a primeira gravação da música, lançada em um encarte da revista "O Pasquim" em 1972, Tom diz que foi inspirado pelos versos iniciais de Olavo Bilac em "O Caçador de Esmeraldas":
"Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada
Do outono, quando a terra, em sede requeimada,
Bebera longamente as águas da estação
Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata
À frente dos peões filhos da rude mata
Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão."


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que tenhamos um dia de muita poesia e paz
beijo na alma
VAI UMA PROSA AÍ?
beijos na alma
paz e luz
de um cristal com sono esculpi teu beijo
e da fome ancestral da cebola colhi meu riso
estavas num barco sem pétalas só um símbolo
de asas inquietava teu colo na noite sem olhos
e de ti me tomastes pelo avesso
de tua fundura onde um menino dança
de tua flor sem soluços principiei meu sonho
estavas nua e apenas o som te amava
o sol sem ruas esperava o mel de tua pressa
e por aí andavas desde que me viciei em tua ternura
ah flor de saudade água de pássaro com soluços
talvez ainda em mim resista a sombra do teu rastro
escrevi para ti um mar em forma de grito
estava em pleno abraço com o abismo
então chegaram tuas coxas de argila
dois túneis de alasbastro com corcéis famintos
mas não havia para mim senão teus dedos
a pintar de chuva os desvios do coração
não havia cor nesses versos fatigados
de ânsia e de soldados
Então alguém apaixonado plantou um
pouco de música no poema
mas não havia sequer um poema ou lago
era só uma paixão dessas viciadas em pássaros
do mesmo sexo que a música no poema
nenhum mérito de improviso
o amigo põe música no amigo
e apenas por isso a poema existe
nada em si mesmo justifica seus versos
nada só a trama das espadas
nenhuma metáfora que o valha
nenhuma invenção do vazio ou
um arquiteto de plumas
e é tão leve a perfeição que resvala
na primeira falha de tua palavra fria
tão fria que não cabe mais num rio
só sabe perseguir relógios de alma antiga
são parecidos com lágrimas encardidas
dessas com o soluço envelhecido
um dia esperam que o barco engula o nevoeiro
e possam então olhar
e compreender que o cais não tem outra porta
que amanhecer
Beijo,
Geraldo Maia