Poemas à flor da pele

A Poemas é tri!

Silvia Mendonça
  • Feminino
  • New York (EUA), Rio de Janeiro / São Paulo / Brasilia
  • Brasil
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Silvia Mendonça

CALEIDOSCÓPICA

Jorra tua voz em
Impulsos inevitáveis
Flecha insinuante
Faz alvo em mim
Crava olhos em meus
Disfarces labirintos
Clarabóia por onde
Broto
Detecta-me com teus
Sons inexatos
Coabitas vontades futuras que
Obstinam teu corpo ebulição
Fervor inquieto
Espinheiro em beira de encosta
Seiva curtida em penhasco
Caminha indolente em meio às
Ondas
Debulhando em marés os teus
Poemas
Encena-te em dunas carrossel
Manobra fetiches acenados
Vedete decomposta em
Nós
Amarra-me em secretas mímicas
Faz-me teu andari… Continuar

Postado em 3 outubro 2009 às 22:30 ‚Äî

Silvia Mendonça

AMPLIDÃO

Sou arquipélago
Bizarro
Rodeada de horizontes
Vermelhos
Nua
Sem corpo ou
Alma
Caminho em
Solidão ressequida
O sol mistura-se
À orgia das águas
Alaranjada espuma
Minha poesia é assim:
Vem ao anoitecer
Brilha um brilho suspiro
Depois se põe
Cobre o mundo de
Uma mágica penumbra
Que a lua chama de nova
Estou desse jeito
Ampla
Descaradamente apaixonada
Deliberadamente desejando
Mas sinto uma tristeza
Hoje
Nessa praia
Nessa quietude
Brinco hilárias coreografias
Solto a voz em
Enlouquecido grito
Navego… Continuar

Postado em 2 outubro 2009 às 18:00 ‚Äî

Silvia Mendonça

MÁSCARA DE MULHER

A bem da verdade,
não sou essa mulher fatal
que tu pensas que eu sou.

Aquelas histórias de sedução
foram todas inventadas,
e esse ar superior,
de quem sabe lidar com a vida,
é apenas autodefesa.

Aquelas frases filosóficas?
Foram ditas só para te impressionar,
pAra te passar essa ilusão de intelectual..

Na verdade eu ainda nem sei se acredito
nos valores que me ensinaram,
quanto mais em frases feitas e opiniões formadas!

Senta ai, vai!

Deixa eu tirar os sapatos,
desmanchar o penteado,
retira… Continuar

Postado em 2 outubro 2009 às 17:30 ‚Äî

Silvia Mendonça

A CERTEZA EXPLODIU NA MINHA CARA

Li e reli o teu e-mail de dias atrás; relembrei cada palavra dita por ti no msn hoje. E a clareza explodiu na minha cara. Entendi que a paz de espírito que buscas, ao "desacelerar" o nosso amor não realizado, é o estado de consciência de tudo que é possível. Pois, antes de serem possíveis, todas as possibilidades são apenas probabilidades infinitas, certo? E, infinito não começa nem acaba, lembra-te?

Assim, todas as coisas tornam-se possíveis quando ganham interpretação, status de existência, a… Continuar

Postado em 2 outubro 2009 às 17:30 ‚Äî

Silvia Mendonça

POEMA MARGINAL*

Da primeira à última palavra
Depois da exaustão inflexível que
Silenciosamente abarca meus poemas
Poso
Cálice virgem de excitação tinto
Saudades buquê
Aroma violino
Pálida entre travesseiros
Em teus ensaios lascivos
Permeados de poses libertinas
Não tenho como evitar
Tua conquista distraída
em palavras dinamite
Teus gestos de linguajar faminto
Que me seda
Embriaguês silábica
Labial
Vulgar vogal
Sou lava em tua boca
Cumplicidade em surdina
É o meu jeito (in) verso
Em cada esquina
Te pego inusitad… Continuar

Postado em 2 outubro 2009 às 16:30 ‚Äî

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Silvia Mendonça recebeu um presente de Dorothy Carvalho

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Eu só quero bagunçar a tua pose,porque, no fundo,te amo tanto que não posso te ferir sem me sangrar...

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escritora e poeta

CÚMPLICES

Olho-te com olhos demorados
Exótico verde
Olhar quente
Lava de vulcão
Abro teus fingimentos
Invado o tecido onde ainda te escondes
Minha língua desce
Escorrega
Cantando em ti
Em minha boca o mapa do
Teu corpo
Passeio entre teus relevos
Teus aromas embriagam-me
Minhas carícias orais inquietam
Abusam
Mordem dentes
Lambe língua
Drena suspiros desesperados
Atiça estrondos
Destempero
Bebo-te no encaixe que se move entre
Tuas coxas
Arrepios secretos roubam-me sorrisos
Linguajares gesticulam
Acenam
Insiro
Rodeio
Subo
Desço
Toco
Rolamos em orais sinfônicos
Risadas de amor
Brincam simultâneas
Fulminam labaredas líquidas
Na varanda horizonte

(Silvia Mendonça)

Ah, quantos epílogos podem uma louca poeta
Os pulsos viris apertam em
Segundos secretos
Banhos licores sussurram
Vindos não sei de onde
Dentro
E vem
Vem idílico
Vem quebrando
Vem indomável
Gemidos atrevidos
Gritos
Tudo
Vem vindo
Vindo
Vin... vi... v...
Ah, todos os nossos mil gozos
Nesse gozo imensurável
Vinhos lavam
A música assopra
A maresia acalma.
Pétalas caem sobre nossos corpos
Abraçamos pernas bambas
Amantes até o amanhecer
E juntinhos ficamos...
Para sempre

Você é a melhor mulher a molhar-me, Silvia!

(Ivan Barnabé Sitta*)

Fevereiro/2009

* Ivan Barnabé Sitta é músico, criador do R.A.G.A (Relaxamento com Atmosferas de Guitarra)

MENDONÇA, Silvia - Jazz and Bossa - URL: -http://jazznbossa.ning.com/profiles/blogs/cumplices-1 - 04/10/2009

MENDONÇA, Silvia - Poemas a Flor da Pele - URL: http://poemasaflordapele.ning.com/profile/silviamendonca - 04/10/2009


QUEM SOU?

Escorpião, não me "entrego";
Fênix, ressurjo das cinzas;
Águia, busco alívio nas alturas;
Loba, farejo um predador à distância;
mulher, descendo de Eva:
sei o que é ser expulsa do
"paraíso" por "comer"
da árvore do conhecimento.

Assim, convivo com a bênção e a maldição,
o santo e profano, o real e o mistico,
o amor e ódio, a paixão e a entrega,
o ganho e a perda há milênios.

Pois sou aquela que traz a alma no céu da boca,
na ponta da língua, no canto esquerdo do peito,
onde, por acaso, mora o coração.

Se conheço os "cantos" da mulher, nos dois sentidos,
não foi por mérito, foi por precisão.
Não sei se tenho todos "os ângulos e arestas arredondados", pois ainda me "arranho", tropeço.

E, por esse mesmo motivo, costumo, em meus poemas, deixar um fio solto aqui, outro ali, sem arremate,
para poder recomeçar se for o caso.

Nenhuma obra é pronta e acabada.
Com a minha, não tenho essa pretensão.
Quanto a usar, e abusar, da sensualidade em meus escritos, sem ser vulgar, acredito ser uma mulher bem resolvida sexualmente; sem pudores ou hipocrisia - e me coloco inteira em meus poemas.
Eu os vejo como a um espelho.

Mitológica sereia, aprendi a (en) cantar,
dando ao outro a chance de ceder ou não.
A isso chamo respeito!

Deusa, não cobro trabalhos "hercúleos"
daquele que me deseja.
Apenas amor!

Feiticeira (wicca), não "cozinho" sortilégios em caldeirão nas noites de lua cheia
para ter o que, ou quem, eu quero.
Conquisto com meu charme e beleza naturais.

Pitonisa, não adivinho ou "invento"
acontecimentos para impressionar.
Uso outros métodos, até mais impressionantes.

Não leio o destino das pessoas em borra de café;
nem em conjunções astrais.

A vida é feita de escolhas
- e muda de rumo num piscar de olhos.

A isso chamam Livre Arbítrio,
dom de Deus!

Silvia Mendonça é jornalista,
fotógrafa, escritora, poeta
revisora, produtora.

Antes de tudo, mulher!

Mulher que conta o tempo a partir de então:
viro a ampulheta, deixo que os dias se escoem.
Eu os vivo, é certo, mais como uma obra em desconstrução,
dissolvendo-me, diluindo-me.

"Quem me vê assim cantando, não sabe nada de mim".
Algo tão sem nexo, a procura de um "eu" que eu possa sê-lo.
Vou-me descosturando com o passar dos anos,
sem deixar de coser os furos na manta que mal cobre a minha nudez,
exposta tantas vezes em carne viva em meus poemas.

Se eu fosse uma errante, teria partido;
se eu fosse um trem, estaria atrasada.

Como diz Dom Quixote:
"A mi solo faltó lo que a todos los desdichados sobra (...) No hay memória a quiem el tiempo no acabe, nim dolor que muerte no le consuma".


Posso ser encontrada ainda:
http://recantodasletras.uol.com/escritores/silviamendonca
http://brasilpoesias.ning.com/profile/SilviaMendonca
http//jazznbossa.ning.com/profile/silviamendonca
http://textolivre.com/autores/silviamendonca
http://poemasaflordapele.ning.com/profile/silviamendonca
http://delasnievedaspet.ning.com/profile/SilviaMendonca
http://www.myspace.com/sapatinhosvermelhos
http://sapatinhosvermelhos2009.blogspot.com/
http://www.orkut.com.br/silviamendonca
http://www.ning.com/silviamendonca62
http://www.facebook.com/profile/silviamendonca

(SAPATINHOS VERMELHOS, de Kelly Smith)

Endereços de e-mail:
sapatinhosvermelhos2008@hotmail.com
silviammdias@gmail.com


Caixa de Recados (52 comentários)

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Em 5:24pm on dezembro 02, 2009, Dorothy Carvalho deu para Silvia Mendonça um presente...
Um abraço bem carinhoso à você pessoa linda!!
Da Loja de presentes
Em 4:50pm on novembro 29, 2009, Daniel Petersen deu para Silvia Mendonça um presente...
Obrigado Silvia.. Pelas palavras e pelo carinho... É muito bom estar fazendo parte dessa família!! Beijos!!
Da Loja de presentes
Às 0:15 em 28 novembro 2009, fátima queiroz disse...
cadê-te????????????
bjsssss
Em 7:43pm on novembro 23, 2009, Carine Lorensi deu para Silvia Mendonça um presente...
Bouquet of Flowers for you friend
Da Loja de presentes
Em 5:42am on novembro 19, 2009, César Magalhães Borges deu para Silvia Mendonça um presente...
Mas é claro que sim, Silvia. Obrigado pelo presente. Abraços, César
Da Loja de presentes
Às 11:54 em 15 novembro 2009, fátima queiroz disse...
vc é testemunha que sp fui calma mais com pessoas que fazem isto sem conhecer o que é uma poesia visual não serei... é só buscar no google!
gifs e imagens de terceiros sem os devidos créditos pode! gozado, né???
Em 11:53am on novembro 15, 2009, fátima queiroz deu para Silvia Mendonça um presente...
procê
Da Loja de presentes
Às 11:53 em 15 novembro 2009, fátima queiroz disse...
vou querer uma justificativa de quem fez isto e da soninha, depois saio do grupo e do site!!!
Às 11:50 em 15 novembro 2009, fátima queiroz disse...
a solange que me refiro é daquela época, não estou acusando quem fez isto, mais lembrei mesmo da solange...a censura mal informada de certo...
Às 11:49 em 15 novembro 2009, fátima queiroz disse...
silviaaaaaaaaaa
deixei 2 poesias visuais no grupo sobre prosa e passaram a tesoura! a solange, lembra dela? cortou!!!
poesia visual não pode ser prosa? poesia???
fui rasgar meu certificado de letras!!!!!!
 
 

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tecendo arte na rede

O HIV que você não vê (*)

No dia 1º de dezembro, o mundo inteiro prepara homenagens para lembrar os milhões de mortos pelo vírus HIV e, principalmente, a preocupação com a crescente contaminação da AIDS. No mundo, milhões de pessoas vivem com HIV. O vírus, conhecido inicialmente como aquele que atacava mais os homossexuais e os usuários de drogas injetáveis, quando foram descobertos os primeiros casos da moléstia, no final dos anos 70, em São Francisco (Estados Unidos), alastra-se cada vez mais. Os últimos relatórios do Programa Conjuntos das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), confirmam que todos são vulneráveis.
Não existe mais um único grupo de risco e todos são responsáveis pelo aumento do número de casos. Não basta usar a simbólica fitinha vermelha no dia 1º, adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU), após um encontro de ministros da saúde de 140 países, reunidos em Londres, em 1988, como o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Não basta mais chorar a perda dos nossos ídolos, conhecidos, amigos e amigas. É preciso despir-se do preconceito e da discriminação. Todos estão sujeitos a ser infectados pelo vírus. É preciso deixar de lados juízos parciais e a ignorância na divulgação dos estereótipos que marcaram a doença nos primeiros casos.
Hoje, existem os órfãos da AIDS, a quem devemos, no mínimo, emprestar solidariedade emocional e financeira pela omissão no início da descoberta da doença. Mas existem também as mulheres infectadas, os homens infectados, os usuários de drogas injetáveis, os transexuais, os jovens, os homossexuais, os heterossexuais e os casais pertencentes a relacionamentos monogâmicos. A única forma de prevenção a AIDS, conhecida até o momento, é o preservativo. E isso deve ser disseminado cada vez mais pela mídia, pelos formadores de opinião, pelas campanhas governamentais.
As formas de colaborar com a redução das pessoas infectadas pelo HIV são muitas e exigem, principalmente, uma maior ação ofensiva das três esferas de governo. Mas a nossa contribuição individual é decisiva. Como? Talvez colocando fim ao preconceito inicial da doença que matava mais rápido do que o vírus. Ou auxiliando mais os órgãos de apoio, como o Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA). Ou investindo não só na distribuição gratuita de medicamentos, como o conhecido coquetel, mas também oferecendo aos portadores do vírus uma vida com qualidade.
Quando se fala em vida com qualidade, é conveniente lembrar que devemos também combater o vírus da tristeza, que contamina o portador do HIV; o vírus da desesperança, que baixa as defesas do infectado ao descobrir tanta ignorância em sua volta. E, especialmente, o vírus da omissão, que está infectando muita gente em pleno século XXI. Devemos lutar e participar dos movimentos para discutir a epidemia e descobrir novas formas de prevenção, além de propagar o uso da camisinha.
Porque já choramos a morte de tantos, como Rock Hudson, Henfil, Lauro Corona, Cazuza, Fred Mercury; Cláudia Magno; Renato Russo; Herbert de Souza (o Betinho), Sandra Bréa, Caio Fernando de Abreu, entre tantos outros que nos trazem saudades. Como lembrou a Rita Lee na música “O Gosto do Azedo”: sou a dor da tortura, uma nova ditadura, terminal da loucura, sou o vírus sem cura, sou o HIV que você não vê, mas eu vejo você”. Está na hora de celebrar a vida e não a morte de tantos pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.


(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins

Concurso de poesia de Natal


Poetas:
A Comunidade Poemas à Flor da Pele promove um concurso de poesias de Natal. Vejam os detalhes e participem

1. Tema: natal
- a poesia deve ser inédita
- tamanho não superior a um tópico do Orkut

2. Inscrições
2.1.Período de inscrições
01.12.09 à 15.12.09
2.2 Como se inscrever
Exclusivamente por e-mail enviado para o
endereçoconcursopoemasnatal@hotmail.com

3. Seleção
A escolha da poesia vencedora será feita por uma comissão de jurados que será preservada até o final do concurso e de conhecimento apenas da organização do concurso.

4. Informações
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=12590356&tid=5409913743499793121

Datas comemorativas do mês de dezembro


1º - Dia Internacional da Luta contra a AIDS
- Dia do Imigrante
02 - Dia Nacional do Samba
- Dia da Astronomia
- Dia Pan-americano da Saúde
- Dia Nacional das Relações Públicas
03 - Dia Internacional do Portador de Deficiência
04 - Dia da Propaganda
- Dia do Orientador Educacional
08 - Dia Mundial da Imaculada Conceição
- Dia da Família
- Dia da Justiça
09 - Dia da Criança Defeituosa
- Dia do Fonoaudiólogo
10 - Declaração Universal Direitos Humanos
- Dia Internacional dos Povos Indígenas
- Dia Universal do Palhaço
11 - Dia do Arquiteto
- Dia do Engenheiro
13 - Dia do Cego
- Dia do Marinheiro
- Dia do Ótico
- Dia de Santa Luzia
14 - Dia Nacional do Ministério Público
18 - Dia do Museólogo
21 - Dia do Atleta
22 - Início do verão
23 - Dia do Vizinho
24 - Dia do Órfão
25 - Natal
26 - Dia da Lembrança
28 - Dia do Salva-vidas
31 - Reveillon

Maria Flor da Pele (*)

Maria é uma mulher como outra qualquer. Não foge à regra e tem suas rotinas femininas. Acordar, entrar no banho, tomar um café requentado e passar, rapidamente, margarina na fatia de pão dormido, vestir-se, espremer-se dentro de um ônibus lotado e ir trabalhar. Nos horários de intervalo, corre para aproveitar o tempo. Desvia os olhos das vitrines que liquidam sonhos.
Apesar de cumprir com quase todos os afazeres femininos, Maria foge dos padrões estereotipados de mulher. Por isso, é diferente. Expõe os sentimentos. Não nega que vive equilibrando suas emoções. Fala abertamente de seus desencontros. E se precisar desafia, interroga, enfrenta, chora, berra ou sussurra.
Seu sobrenome é Flor da Pele. Seu hobby é ler e o lazer é participar de saraus. O seu trabalho pode ser a medicina, advocacia, a educação. Seu prazer é fazer poesias. Não para ganhar dinheiro, porque sabe da falta de incentivo para a cultura, mas por paixão. É só ter tempo livre e está teclando com pressa ou escrevendo em um pedaço qualquer de papel versos e rimas.
Essa Maria tem cabelos não muito curtos, ondulados, de cor clara, que prende com uma tiara combinando com a roupa. As suas vestes são um pouco escandalosas, ou melhor, autênticas. É que Maria aprendeu a diferença das palavras e autêntica é uma escandalosa que a gente gosta. Mostra unhas curtas, quase um pouco roídas. Mas sempre pintadas de esmaltes com cores vivas. E ao empinar bem os peitos firmes, afirma, provocando inveja nas outras: “são perfeitos, parecem duas bolas”.
Essa mulher poderosa, charmosa e esbanjando alegria, não resiste a um palco, ainda que não seja exatamente o tradicional. Essa mulher exibida, espetaculosa e que distribui simpatia, sabe declamar muito bem poesias. Essa mulher talentosa e que arranca aplausos, gosta de recitar poesias. E sempre que pode, decora as poesias da comunidade do Orkut “Poemas à Flor da Pele”.
Ela é especial. Poderia ser tantas Marias: Reginas, Helenas, Cristinas, Lúcias... Mas é Maria Flor da Pele, com orgulho. Tanto que anuncia bem alto a sua chegada. Ela é especial. Poderia ser tantas mulheres: indecisas, inseguras, audaciosas, tímidas... Mas é uma mulher que tem poema no seu olhar, no rebolar, no trajar, no perfumar. Com muita vaidade.
Maria Flor da Pele já foi Fernando Pessoa e agradou. É, com frequência Shakespeare, e ouve pedido de bis. É qualquer poeta quando se faz de Estátua Viva nas praças e parques de Porto Alegre, nas ruas de Bento Gonçalves ou praias do Rio de Janeiro.
É Maria por ser um nome quase universal e expressar o sentimento de qualquer mulher. E é Flor da Pele porque é a nova personagem criada pelo ator Marcos Bahrone para se apresentar nos eventos da comunidade “Poemas à Flor da Pele”. Um presente do talentoso Bahrone para as mulheres à flor da pele.
(*) escrito por Márcia Fernanda Peçanha Martins

Saia de saia (*)(**)

Hoje, coloque uma roupa
bem à vontade e saia.
Simplesmente, saia.
Por aí, sem medo.
Desfile como majestade
e convoque toda a laia.
Faça uma gandaia.
Mande até torpedo.
O que vale é se mostrar
com micro ou minissaia.
Vista-se de cobaia.
Escreva o enredo.
Não esconda suas formas
e silencie a vaia.
Fim da maracutaia
do corpo em segredo.
Ninguém tem dono aqui.
E nem lá na praia.
Saia desta tocaia.
Assuste o bruxaredo


(*) Márcia Fernanda Peçanha Martins

(**) Em solidariedade às mulheres que já militaram, militam ou ainda precisarão militar pelo feminismo no país e apoio aos movimentos de protesto contra a selvageria praticada com a estudante da Uniban
 

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